Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 8h40

Por AFP

Em Mianmar, os hospitais estão desertos, as administrações operam lentamente, e os trens permanecem estacionados nas plataformas.

Embora coloquem suas vidas e salários em risco, muitos funcionários públicos se recusam a trabalhar para a Junta militar e se uniram ao crescente movimento de desobediência civil que visa a enfraquecer os generais e paralisar a burocracia.

"Os militares precisam mostrar que sabem governar um país. Mas, se nós, funcionários, não trabalharmos, seu projeto de tomada do poder fracassará", disse à AFP Thida, uma professora universitária que prefere manter o anonimato e se recusa a dar aulas on-line, três semanas após o golpe.

Além disso, ela se juntou à greve nacional lançada por profissionais da saúde, muitos dos quais devem se esconder para evitar a prisão.

Escritórios e empresas do setor privado também foram afetados por interrupções no trabalho, enquanto várias agências bancárias não conseguiram abrir.

O aumento do quadro de funcionários dentro do protesto é o que tem abalado a Junta. Sem eles, não é possível arrecadar impostos, enviar contas de luz, ou organizar teste de covid, ou seja, tudo que implica o funcionamento do país.

A possibilidade de uma crise financeira se aproxima, devido à pandemia e ao declínio do investimento estrangeiro.

É difícil determinar quantos funcionários públicos, dos milhões que Mianmar possui, estão em greve.

De acordo com uma investigação, 24 ministérios foram afetados, e o relator nomeado pela ONU para Mianmar estima que cerca de 75% dos servidores públicos pararam de trabalhar.

Sua ausência começa a impactar o regime.

Pelo menos um terço dos hospitais do país não está funcionando, declarou essa semana Min Aung Hlaing, autor do golpe de Estado e chefe da Junta militar.

Ele também criticou a falta de profissionalismo dos trabalhadores da saúde e dos professores e deu a entender que aqueles que não aderiram à greve receberão um bônus, segundo declarações publicadas na terça-feira na mídia estatal.

De acordo com um médico consultado pela AFP, a falta de pessoal obrigou seu hospital a rejeitar novos pacientes.

E equipes médicas especializadas foram treinadas para atender manifestantes atingidos por balas de borracha e reais.

A imprensa local noticia que, em todo país, empregados de escritórios, executivos e caminhoneiros foram demitidos por participarem do movimento.

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AFP