Publicado 25 de Fevereiro de 2021 - 20h40

Por AFP

Políticos e ativistas expressaram nesta quinta-feira (25) seu descontentamento com a suposta reabertura na Flórida de um centro de detenção para imigrantes menores de idade não acompanhados por adultos, que foi fechado após alegações de abusos.

O centro de detenção de Homestead, no sul da Flórida, abrigava mais de 3 mil menores sem documentos até seu fechamento, em agosto de 2019, em meio a protestos contra as políticas de imigração do ex-presidente Donald Trump e relatos da imprensa de que o lugar não estava preparado para proteger as crianças em caso de furacão.

A ferida foi reaberta na terça-feira, quando o jornal local Miami Herald noticiou, citando fontes anônimas do Departamento de Segurança Interna, que o governo do novo presidente democrata Joe Biden planeja reabrir o centro depois de fazer o mesmo com outro no Texas esta semana.

O Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR, na sigla em inglês), um programa do Departamento de Saúde que opera esses abrigos, não confirmou à AFP a informação.

Porém, Thomas Kennedy, coordenador da organização de direitos dos imigrantes United We Dream, na Flórida, apontou o dedo para a vice-presidente Kamala Harris, que prometeu fechar esses centros de detenção privados quando os visitou como senadora e pré-candidata democrata em 2019.

"Esperamos que (Harris) mostre o mesmo nível de entusiasmo para se opor a esse centro agora que ela tem um papel de destaque como vice-presidente do governo", disse Kennedy.

O abrigo, composto basicamente de uma série de barracas, foi alvo de polêmica nacional após relatos de maus-tratos infantis e virou símbolo da crise migratória de 2018, quando uma política de Trump separou na fronteira milhares de crianças que migravam com seus pais. Cerca de 500 crianças ainda não foram reunidas com suas famílias.

A prefeita do condado de Miami-Dade, onde fica Homestead, escreveu no Twitter na quarta-feira que ficou "desapontada ao saber que o centro de detenção será reaberto". Ela pediu a Biden que "explore outras opções para abrigar menores desacompanhados".

Melissa Taveras, da Florida Immigrant Coalition, disse em uma coletiva de imprensa em frente à prefeitura de Homestead que "existem alternativas" além desses questionáveis abrigos do ORR para crianças que migram sozinhas aos Estados Unidos.

"Eles têm famílias, existem organizações como a nossa, igrejas e outros líderes comunitários que ficariam felizes em recebê-los e apoiá-los enquanto completam seu processo de asilo", afirmou Taveras.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, explicou na quarta que "não se tratam de crianças mantidas em jaulas", uma situação que foi registrada nas instalações da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) na divisa com o México.

Ela disse que o governo "não vai expulsar crianças desacompanhadas na fronteira, isso seria desumano" e que, devido à pandemia, é necessário encontrar locais onde os menores estejam seguros enquanto são entregues a familiares ou representantes.

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