Publicado 25 de Fevereiro de 2021 - 20h01

Por AFP

O Brasil superou nesta quinta-feira (25) a marca de 250.000 mortes por covid-19, em meio a uma preocupante segunda onda de infecções, escassez de vacinas e medidas de contenção insuficientes.

Um ano após registrar o primeiro caso em seu território, o Brasil é o segundo país do mundo em números absolutos de mortes, com 251.498 - 1.541 óbitos registrados pelo Ministério da Saúde nas últimas 24 horas. No total, o país supera as 10,3 milhões de infecções.

Os Estados Unidos superaram nesta semana a marca de 500.000 mortes.

O Brasil registrou um novo aumento no número de casos em novembro, após alguns meses de melhora; e a situação se acentuou após os feriados de fim de ano, com média móvel de óbitos diários acima de 1.000 por várias semanas, como havia ocorrido entre junho e agosto do ano passado.

A média dos últimos sete dias foi de 1.149 mortes diárias, a maior média móvel já registrada no país.

Especialistas atribuem o repique a uma combinação de fatores, incluindo relaxamento do isolamento social (estimulado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, cético em relação à pandemia) e atrasos nas negociações para a compra de vacinas.

"Depois de dez, onze meses da pandemia, há um cansaço natural (da população), mas isso não deveria justificar o descuido", analisou o epidemiologista Mauro Sánchez, da Universidade de Brasília, para quem o país está "anestesiado" e normalizou as centenas de mortes diárias por covid-19.

A imunização no Brasil começou em janeiro e avança lentamente, alcançando 6,1 milhões de brasileiros até agora com a primeira dose, o equivalente a menos de 3% dos 212 milhões de habitantes do país. Apenas 1,6 milhão de pessoas receberam a segunda dose das vacinas Sinovac e Astrazeneca/Oxford.

Embora a cobertura da vacina não seja suficiente para começar a fazer efeito, estados que começam a ter seus sistemas de saúde saturados, como Bahia e São Paulo, endureceram algumas restrições, na tentativa de evitar o colapso vivido em meados de janeiro em Manaus, onde dezenas de pessoas morreram por falta de oxigênio hospitalar.

A Bahia suspenderá as atividades comerciais não essenciais durante todo o fim de semana e proibirá a venda de bebidas alcoólicas.

Já São Paulo, com mais de 40 milhões de habitantes, aumentará os controles para evitar a circulação noturna e, em algumas cidades do interior do estado, as autoridades decretaram toques de recolher por faixa de horários.

Em nenhum momento, porém, o Brasil realizou um confinamento severo ou prolongado para conter a propagação do coronavírus.

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