Publicado 25 de Fevereiro de 2021 - 19h00

Por AFP

Dezenas de indígenas guatemaltecos, sob liderança da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, exigiram justiça nesta quinta-feira (25), por ocasião da comemoração do Dia Nacional das vítimas do conflito armado (1960-1996), que deixou cerca de 200 mil mortos ou desaparecidos.

Antes de uma caminhada pelo centro histórico da capital, levando flores amarelas, vermelhas e brancas, os sacerdotes maias realizaram uma cerimônia na praça central, onde pediram justiça para seus parentes mortos durante a guerra.

"Dignificamos as vítimas do conflito armado interno e em sua memória exigimos verdade e justiça para que esses crimes nunca mais se repitam", afirmou Feliciana Macaria, da organização Familiares de Detidos-Desaparecidos da Guatemala (Famdegua).

Enquanto isso, dezenas de organizações afirmaram em comunicado que esta data é dolorosa porque "lembramos nossos entes queridos que sofreram genocídio, massacres, desaparecimento forçado, tortura, violência sexual e outros crimes atrozes cometidos pelo Exército, e por isso exigimos memória e justiça".

Também criticaram o presidente Alejandro Giammattei por ordenar o fechamento da Secretaria de Paz e da Comissão Nacional de Ressarcimento, entidades criadas após a assinatura do armistício, em 29 de dezembro de 1996.

O presidente "fechou ilegalmente as instituições de paz e pretende enterrar a memória histórica do país, mas as vítimas e sobreviventes defenderão nossos direitos perante os tribunais nacionais e internacionais, e nas ruas se necessário", alertaram.

A data comemora a apresentação do relatório Memória do Silêncio, da Comissão de Esclarecimento Histórico da ONU, que reconhece que um genocídio foi cometido, e responsabiliza o Estado por 93% das violações.

Segundo o documento, foram cometidos 626 massacres e 5 mil crianças desapareceram, ao mesmo tempo em que mais de 90% das vítimas foram indígenas, que representam 42% dos quase 17 milhões de habitantes do país.

A data foi institucionalizada pelo Congresso em 25 de fevereiro de 2002 e estabelece que deve ser comemorada em instituições autônomas e descentralizadas, estabelecimentos de ensino e repartições públicas e privadas, da forma que melhor homenageie a memória das vítimas do conflito armado.

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