Publicado 25 de Fevereiro de 2021 - 12h20

Por AFP

Dana Gavrinevova, professora de Educação Física em um colégio de ensino médio de Praga, observa com angústia seus alunos, obrigados a terem aulas a distância, mergulhados cada vez mais na letargia e ganhando peso.

Os especialistas tchecos, assim como os de muitos outros países, têm feito alertas nesse sentido, diante da crescente evidência de que o confinamento está fazendo da obesidade infantil a norma, após o fechamento das escolas em outubro passado.

"É realmente horrível. Algumas crianças não saem de casa há semanas. Elas simplesmente se levantam e ligam os computadores", disse Gavrinevova à AFP.

Zlatko Marinov, especialista em obesidade infantil do Hospital Motol em Praga, vê uma verdadeira crise se aproximando. Segundo ele, a proporção de crianças classificadas com sobrepeso se manteve "estável" antes da pandemia, em torno de 25%, e delas, 60% consideradas obesas.

"Agora essas proporções vão aumentar, e 80% das crianças com sobrepeso serão obesas. Tememos que seja uma obesidade grave com complicações metabólicas", alertou Marinov.

A República Tcheca registra o maior número de novas infecções a cada 100.000 habitantes nos últimos 14 dias, e a taxa de mortalidade fica atrás apenas da vizinha Eslováquia, segundo balanço da AFP.

O governo, que reporta cerca de 1,2 milhão de casos de contágio e em torno de 20 mil mortes, fechou restaurantes, grande parte das lojas e de centros esportivos e escolas. A exceção são a pré-escola e os primeiro e segundo anos do ensino fundamental.

"A diminuição da atividade física de crianças e adultos, devido às restrições do governo, é clara", disse Jiri Suchy, professor de pedagogia esportiva na Universidade Charles, de Praga.

Segundo ele, o governo cometeu um "erro" ao fechar escolas e incentivar os moradores a ficarem em casa.

"A proibição das aulas esportivas, dos esportes coletivos e do treino tem, claramente, um impacto nefasto na forma física (...) de crianças e jovens", disse Suchy à AFP.

Em seu relatório mundial sobre o estado da infância de 2019, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) já havia alertado que a obesidade infantil continua aumentando e que a proporção de crianças com sobrepeso de 5 a 19 anos pulou de 10% para quase 20% entre 2000 e 2016.

Essas crianças apresentam um maior risco de sofrer de diabetes tipo 2 e de serem estigmatizadas, assim como de desenvolverem depressão e obesidade na idade adulta.

As doenças relacionadas com a obesidade, como problemas cardíacos e diabetes, encontram-se entre as causas mais comuns de morte, ou de incapacidade para trabalhar nos países desenvolvidos.

O governo tcheco planejava reabrir as escolas a partir de março, mas, com o aumento de casos de covid-19, mudou de ideia.

"As crianças devem voltar para a escola o mais rápido possível, com medidas de segurança, mas com atividades esportivas", insistiu Marinov.

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