Publicado 25 de Fevereiro de 2021 - 11h00

Por AFP

Um alemão, suspeito de ter transmitido para a Rússia dados e planos do Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão, foi indiciado em Berlim - anunciou o Ministério Público federal nesta quinta-feira (25).

"Entre final de julho e início de setembro de 2017, o suspeito decidiu, por sua própria iniciativa, transmitir informações sobre as propriedades do Bundestag alemão para os serviços de Inteligência russos", disse o MP em um comunicado.

Identificado como Jens F., o suspeito "trabalhava para uma empresa que foi contratada várias vezes pelo Bundestag alemão", relatou o órgão.

Ele era encarregado, principalmente, de supervisionar os dispositivos portáteis usados na Câmara baixa do Parlamento.

"Nesse contexto, o suspeito teve acesso a arquivos em PDF com os planos das propriedades" do Bundestag, acrescentou.

De acordo com o MP, o acusado enviou esses documentos, em formato PDF, para um funcionário da embaixada russa em Berlim. Este último seria membro do serviço de Inteligência militar russo, o GRU.

Indiciado pelo Ministério Público Federal, o suspeito poderá ser processado, se o tribunal competente assim o decidir.

As relações diplomáticas entre Berlim e Moscou foram ofuscadas recentemente por vários casos de suspeita de espionagem atribuídos à Rússia. Um deles, de 2015, teria envolvido a chanceler Angela Merkel.

O assassinato de um georgiano de origem chechena em Berlim, em agosto de 2019, acusado de pertencer ao GRU, e o caso do opositor russo Alexei Navalny deixaram as relações bilaterais ainda mais tensas.

Desde o final de 2019, o caso do georgiano provocou a expulsão de diplomatas russos de Berlim, em protesto por sua falta de cooperação na investigação. O suposto autor do assassinato está sendo julgado em Berlim desde o outono boreal (primavera no Brasil). Moscou rejeita todas as acusações neste caso.

Em relação ao opositor russo, Navalny foi internado na Alemanha após uma tentativa de envenenamento, da qual acusa o Kremlin. Quando voltou para a Rússia, no início de 2021, foi detido e, desde então, Berlim reivindica sua soltura.

A Alemanha, assim como Suécia e Polônia, expulsaram diplomatas russos em 8 de fevereiro passado, em represália por medidas similares adotadas por Moscou contra diplomatas acusados de participar de manifestações de apoio a Navalny.

Apesar dessas tensas relações, Moscou e Berlim mantêm o pragmatismo e continuam defendendo, contra todas as críticas, seu polêmico projeto do gasoduto Nord Stream 2, que unirá os dois países.

Merkel, que deixará o cargo no final do ano após 16 anos na Chancelaria, considera que Nord Stream é "uma questão econômica", na qual o governo "sempre se recusou a interferir", segundo uma porta-voz da dirigente alemã.

Berlim também faz gestões para desenvolver a vacina russa contra o coronavírus Sputnik V na Europa. O laboratório alemão IDT Biologika poderia participar da produção do imunizante russo.

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