Publicado 25 de Fevereiro de 2021 - 10h30

Por AFP

O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, denunciou nesta quinta-feira (25) uma tentativa de golpe de Estado militar e liderou uma marcha de simpatizantes para reafirmar sua autoridade, enfraquecida pela derrota do Exército do país para o Azerbaijão em Nagorno Karabakh.

"Como primeiro-ministro eleito, estou ordenando a todos os generais, oficiais e soldados: façam o seu trabalho de proteger as fronteiras do país e a integridade territorial", afirmou o chefe de Governo a seus seguidores.

O Exército "deve obedecer ao povo e às autoridades eleitas", acrescentou.

A Rússia afirmou que está "preocupada" com a situação e fez um pedido de "calma" na ex-república soviética.

A Turquia, grande inimiga da Armênia, condenou "com firmeza" a tentativa de "putsch".

Pashinyan afirmou que uma declaração do Estado-Maior do Exército pedindo sua renúncia era uma "tentativa de golpe de Estado militar". Em uma mensagem no Facebook, ele pediu a seus partidários que se reunissem na Praça da República em Yerevan.

Em uma mensagem ao vivo nesta rede social, Pashinyan anunciou a destituição do general Onik Gasparian do comando do Estado-Maior.

Pouco depois, ele liderou a manifestação e declarou que, apesar da situação tensa, "todos concordam que não devem acontecer confrontos".

"A situação pode ser administrada", disse o primeiro-ministro. Pashinyan destacou que trabalha em medidas urgentes para desativar a crise. Quase 20.000 pessoas compareceram à praça.

A oposição, que pede a renúncia de Pashinyan desde a derrota militar da Armênia para o Azerbaijão no final de 2020 no conflito de Nagorno Karabakh, reiterou a exigência e também saiu às ruas.

"Pedimos a Nikol Pashinyan que não leve o país a uma guerra civil e a um derramamento de sangue. Pashinyan tem a última oportunidade de sair sem que aconteçam problemas", afirmou o partido Armênia Próspera, principal força da oposição.

Entre 10.000 e 13.000 manifestantes opositores se reuniram em outra praça da capital Yerevan para pedir a renúncia do primeiro-ministro.

Na quarta-feira, Pashinyan demitiu um auxiliar de Gasparian, Tigran Khachatrian, o que levou o Estado-Maior a pedir sua renúncia por considerar que o primeiro-ministro "não está mais em condições de tomar as decisões necessárias". Ambos o acusaram de cometer "ataques para desacreditar as Forças Armadas".

O primeiro-ministro demitiu Khachatrian porque ele ironizou na imprensa as declarações do chefe de Governo, que questionou a confiabilidade do sistema de armamento russo, os lança-mísseis Iskander, durante o conflito em Nagorno Karabakh.

O Estado-Maior considerou que a decisão foi baseada apenas nos "sentimentos e ambições pessoais" de Pashinyan.

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