Publicado 24 de Fevereiro de 2021 - 20h00

Por AFP

Os Estados Unidos ficaram atrás de outras economias avançadas em opções de cuidado infantil e corrigir esse atraso pode ajudar mais mulheres a voltarem ao mercado de trabalho, afirmou nesta quarta-feira (24) o presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central do país, Jerome Powell.

"Acredito que é uma área que vale a pena analisar", disse Powell a legisladores quando questionado se ajudar as famílias para que possam pagar pessoas para cuidar de seus filhos facilitaria um retorno mais rápido ao pleno emprego.

Outras economias avançadas desenvolveram sistemas de cuidado infantil e "acabaram tendo uma participação da força de trabalho feminina substancialmente maior", apontou Powell diante do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes dos EUA.

"Costumávamos liderar o mundo em participação feminina na força de trabalho havia um quarto de século e agora não lideramos mais", enfatizou.

A taxa de desemprego das mulheres com mais de 20 anos era de 6% em janeiro, abaixo da taxa geral, mas quase o dobro do ano anterior, segundo dados oficiais.

Cerca de 2,4 milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho durante a pandemia, cerca de um milhão a mais do que os homens, reduzindo a taxa de participação das mulheres a 57%.

Powell atribuiu isso ao fato de que, em um momento em que muitas escolas estão fechadas, os cuidados com as crianças recaem mais sobre as mulheres.

Interrogado pelos congressistas durante dois dias a respeito das políticas que o governo federal deve seguir, Powell vinha sendo evasivo até agora.

O Congresso está se preparando para aprovar o pacote de ajuda de 1,9 trilhão de dólares do presidente Joe Biden, que fornece, entre outras coisas, financiamento direto e créditos fiscais para cuidados infantis.

"Essas decisões estão nas mãos" do presidente, disse Powell. "Mas acho que vale a pena analisá-las, já que os Estados Unidos estão ficando para trás" nesse tema. "Devemos nos perguntar por que isso acontece e de que forma podemos melhorar", argumentou o chefe do Fed.

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