Publicado 24 de Fevereiro de 2021 - 13h00

Por AFP

Gana recebeu nesta quarta-feira (24) a primeira entrega mundial de vacinas financiadas pelo dispositivo Covax destinadas aos países menos favorecidos, enquanto boas notícias vieram dos Estados Unidos sobre a eficácia do imunizante do laboratório Johnson & Johnson contra formas graves da doença.

"Finalmente! Esta manhã, as primeiras doses das vacinas contra a covid-19 fornecidas pelo dispositivo Covax chegaram em Gana", escreveu no Twitter o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

As 600.000 doses da vacina AstraZeneca/Oxford produzidas pelo Serum Institute of India "fazem parte da primeira onda de vacinas anticovid destinadas a vários países de baixa e média renda", de acordo com um comunicado conjunto da OMS e do UNICEF.

Gana registrou 80.759 casos de coronavírus, incluindo 582 mortes, e deve receber 2,4 milhões de doses.

O sistema Covax tem como objetivo fornecer este ano vacinas anticovid a 20% da população de quase 200 países e territórios. O mais importante, porém, é que dispõe de um mecanismo de financiamento que permite o acesso a 92 economias de baixa e média renda.

Nas segunda-feira, Tedros Adhanom Ghebreyesus acusou certas nações ricas de "minar" o dispositivo e "contatar os fabricantes para garantir o acesso a doses adicionais de vacinas".

Para ajudar a acelerar a vacinação de 1,3 bilhão de pessoas do continente, a União Africana declarou que garantiu 270 milhões de doses para distribuir este ano.

Até o momento, 217 milhões de doses foram administradas no mundo, de acordo com uma contagem feita pela AFP. Porém, mais de 90% foram administradas em países de renda "alta" ou "média-alta", de acordo com referências do Banco Mundial.

Nesta quarta-feira, a Administração de Alimentos y Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos informou que a vacina contra a covid-19 da Johnson & Johnson, administrada em apenas uma dose, é eficaz contra os quadros severos da doença.

A FDA destacou que a vacina oferece proteção, inclusive contra as variantes sul-africana e brasileira, e que nos testes clínicos nos Estados Unidos mostrou uma eficácia de 85,9%, com uma taxa de 81,7% na África do Sul e de 87,6% no Brasil.

O próximo passo é uma reunião na sexta-feira de uma comissão independente da FDA para analisar os resultados. Depois as autoridades podem autorizar o uso emergencial do fármaco.

Se a vacina da Johnson & Johnson for aprovada, este será o terceiro laboratório farmacêutico a receber o sinal verde da agência reguladora americana para o uso de seu produto no país, depois da Pfizer/BioNTech e da Moderna.

Estados Unidos lidera a lista de mortes por covid-19 em termos absolutos com mais de 500.000 vítimas fatais. Os especialistas consideram que a aprovação da vacina da Johnson & Johnson é vital para ampliar a campanha de imunização, embora sua eficácia contra casos moderados seja menor do que a dos outros dois fármacos aprovados.

Na América Latina, a Guatemala tem previsto receber na próxima quinta-feira as primeiras 5.000 doses de vacinas contra o coronavírus do laboratório americano Moderna, doadas por Israel, informou na terça o chanceler guatemalteco, Pedro Brolo.

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