Publicado 22 de Fevereiro de 2021 - 17h30

Por AFP

O juiz Merrick Garland - indicado pelo presidente Joe Biden para ser seu procurador-geral - disse nesta segunda-feira (22) em uma audiência no Senado dos Estados Unidos que a luta contra o extremismo interno será uma prioridade de sua gestão, diante do ataque ao Capitólio.

Garland, que atua como juiz de um tribunal de apelações na capital dos Estados Unidos, afirmou que a ameaça do extremismo de direita hoje é pior do que quando ele investigou o atentado a bomba em um prédio federal em Oklahoma, em 1995, que deixou 168 mortos.

Na audiência para se tornar secretário do Departamento de Justiça, o magistrado declarou que o momento atual é mais "perigoso" do que a ameaça vivida naquela época.

Para Garland, a tomada da sede do Congresso em 6 de janeiro por apoiadores do ex-presidente Donald Trump foi o "ataque mais flagrante ao processo democrático" que já testemunhou. Ele alertou ainda que não se trata necessariamente de um evento isolado.

"Posso garantir que essa será minha prioridade máxima", disse Garland pouco mais de uma semana depois que Trump foi absolvido em um processo de impeachment no Senado, após ser indiciado pela Câmara dos Representantes por "incitar a insurreição" no episódio do Capitólio.

Questionado sobre se investigaria os "líderes" e "cúmplices" do ataque, Garland afirmou, sem mencionar o ex-presidente: "Vamos seguir as pistas onde quer que nos levem."

O respeitado magistrado de tendências progressistas moderadas jurou manter a política fora desse departamento, após as constantes acusações de interferência durante o governo Trump.

Se confirmado, Garland disse que reafirmará as "políticas que protegem a independência do departamento de qualquer influência partidária nas investigações policiais e regulará com rigor as comunicações com a Casa Branca".

Ele também enfatizou que é uma tarefa "urgente" garantir a igualdade de acesso à justiça para as minorias, em uma aparente referência ao movimento antirracista Black Lives Matter.

As minorias enfrentam discriminação no acesso à moradia, educação e mercado de trabalho e sofrem desproporcionalmente os efeitos da pandemia e da mudança climática, segundo Garland.

"A Lei dos Direitos Civis de 1957 criou a Divisão de Direitos Civis do departamento com a missão de defender os direitos civis e constitucionais de todos os americanos, em particular dos membros mais vulneráveis da sociedade", apontou Garland.

Os republicanos no comitê pareciam abertos à indicação de Garland, o que facilita sua confirmação.

No entanto, os republicanos também pressionaram o juiz a se comprometer a continuar as investigações promovidas pelo governo de Donald Trump sobre as motivações dos vínculos da campanha do ex-presidente com a Rússia em 2016.

Em 2016, durante a administração do democrata Barack Obama, os republicanos, então maioria no Senado, bloquearam a nomeação de Garland para a Suprema Corte em uma tentativa de permitir que seu sucessor preenchesse a vaga no mais alto tribunal.

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