Publicado 22 de Fevereiro de 2021 - 17h10

Por AFP

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, alertou nesta segunda-feira (22) que seu país poderia enriquecer urânio até 60%, um desafio do Irã em plenas negociações diplomáticas para salvar o acordo nuclear de 2015.

"O limite de enriquecimento do Irã não será de apenas 20%. Atuaremos de acordo com nossas necessidades (...) Poderíamos aumentar o enriquecimento para 60%", disse o aiatolá, a maior autoridade do país, em nota publicada em sua página oficial.

As declarações de Khamenei são divulgadas na véspera da entrada em vigor de uma lei que visa limitar a inspeção da ONU sobre as atividades nucleares iranianas enquanto as sanções americanas forem mantidas.

Também seguem o anúncio de domingo de um acordo "temporário" entre Teerã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que deve permitir o monitoramento de suas atividades, enquanto se aguardam conversas mais amplas sobre o futuro do acordo nuclear.

O Irã "não abandonou suas obrigações, mas reduziu progressivamente algumas delas, que são reversíveis caso (os demais países signatários) voltem a respeitar seus compromissos", declarou Khamenei, após ter ameaçado enriquecer o urânio em até 60%, o que facilitaria atingir os 90% necessários para desenvolver uma bomba atômica.

"Os ocidentais sabem que não queremos (fabricar) armas nucleares", acrescentou o líder supremo.

As autoridades iranianas começaram a descumprir suas obrigações em 2019, um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos e o restabelecimento das sanções que sufocam a economia iraniana.

O pacto, firmado entre a República Islâmica e os Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China, previa o levantamento progressivo das sanções em troca de o Irã garantir que não se equipe com a bomba atômica, objetivo que Teerã sempre negou perseguir.

As afirmações de Khamenei foram divulgadas no mesmo dia em que os líderes iranianos se parabenizaram pelo andamento das negociações com a AIEA.

As negociações com as autoridades de controle nuclear da ONU "alcançaram um resultado diplomático muito significativo", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Said Khatibzadeh, em entrevista coletiva no dia seguinte à visita do diretor-geral da AIEA a Teerã, Rafael Grossi.

No domingo, o Irã e a AIEA anunciaram um acordo "temporário" de três meses para manter a vigilância das atividades nucleares, embora reduzidas, enquanto negociações diplomáticas entre os signatários do pacto de 2015 avançam sobre o impasse causado pela saída dos Estados Unidos.

Mas o que muda com o anúncio na noite de domingo?

A lei iraniana, que prevê a restrição do acesso a algumas inspeções, inclusive de instalações militares suspeitas, "existe e será aplicada" a partir de terça-feira se os Estados Unidos não suspenderem as sanções, alertou Rafael Grossi ao retornar a Viena, após "reuniões intensivas" em Teerã.

"O acesso será reduzido, não vamos nos enganar, mas seremos capazes de manter o nível necessário de vigilância e verificação", disse Grossi.

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