Publicado 22 de Fevereiro de 2021 - 13h10

Por AFP

O incêndio em um motor de um avião Boeing 777 no sábado ao sobrevoar o Colorado representa um novo golpe para a fabricante aeronáutica americana, que não para de acumular deslizes.

No sábado, um voo da United Airlines Denver-Honolulu, após menos de meia hora no ar, teve que retornar e fazer um pouso de emergência devido a uma pane em seu motor direito, o que provocou um grande incêndio e uma enorme chuva de destroços no solo. Não houve vítimas.

Segundo as primeiras constatações da NTSB, a agência americana responsável pela segurança dos transportes, parte da carcaça que cerca o motor se rompeu, quebrando várias hélices do enorme ventilador que puxa o ar para dentro do reator.

"As panes de motor nunca serão evitadas completamente e se é gerenciado", explica à AFP François Grangier, piloto de companhia aérea e especialista do Tribunal de Cassação francês. O perigo é que os destroços projetados danifiquem o avião.

Os aviões como o Boeing 777 são projetados para voar com apenas um motor enquanto tentam pousar. Um só motor Pratt & Whitney PW4000-112 pode fazer voar um "sete triplo" por mais de três horas, afirmou a fabricante.

Este motor, cujo diâmetro é semelhante ao da fuselagem de um Boeing 737, foi "muito inovador" no início da década de 1990 e "atualmente vive sua idade adulta", afirma Grangier.

Dos 1.656 Boeing 777 em operação, somente 174 estão equipados com motores Pratt & Whitney. Para os outros, os compradores optaram por motores General Electric ou Rolls Royce, explica a fabricante de aviões americana.

E os 128 aviões em serviço ou guardados em galpões em todo o mundo equipados com o modelo de motor em questão, pertencentes à United Airlines, às japonesas JAL e ANA e à sul-coreana Asiana Airline, permanecem atualmente em terra para serem inspecionados.

"Quando os restos e o avião forem recuperados, saberemos o que aconteceu", e veremos se é preciso revisar os protocolos de manutenção, afirma o especialista.

Um acidente parecido ocorreu em 2017 com um Airbus A380, quando perdeu boa parte de um de seus quatro reatores sobre a Groenlândia.

O Escritório de Investigação e Análise francês (BEA) encontrou quase dois anos depois a peça que faltava enterrada na neve, determinando que o motor explodiu por uma microfissura causada pela fadiga prematura de uma liga de titânio.

A Boeing afirma que o acidente de sábado aumenta uma mancha em sua reputação. A fabricante norte-americana foi duramente afetada pelas falhas de seu modelo 737 MAX, envolvido em dois acidentes em pouco tempo, com 346 mortos e a proibição de voar por quase dois anos devido a problemas de software nos sistemas de voo automatizado.

Também foram detectados defeitos no 787 Dreamliner, para longos trajetos, o que levou à suspensão de suas entregas em novembro.

A Boeing sofreu em 2020 um prejuízo de US$ 11,9 bilhões, o maior de sua história.

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