Publicado 22 de Fevereiro de 2021 - 8h40

Por AFP

A austríaca Gerda Holzinger-Burgstaller, uma das raras mulheres à frente de um banco, quer sacudir o mundo das finanças, mesmo que seja com a introdução de cotas para quebrar o teto de vidro no país, muito aquém na igualdade de gênero.

No coração da Europa, o poderoso setor bancário continua sendo um feudo masculino. Na Áustria, apenas 12% das empresas financeiras são atualmente dirigidas por mulheres.

A nova presidente do Erste Bank, que assumiu o cargo em 1º de janeiro, é uma exceção: aos 42 anos, dirige uma instituição bicentenária, com 2.500 funcionários e um milhão de clientes.

"Parei de contar quantas vezes me vi cercada por homens em reuniões", lembra Gerda Holzinger-Burgstaller, de óculos escuros e olhos claros, ao receber a AFP na sede de seu grupo, próximo ao famoso Palácio Belvedere.

No último andar deste edifício moderno com uma vista deslumbrante de Viena, lembra de seu percurso, que inicialmente não era voltado para as finanças.

Ela mudou de rumo após uma primeira experiência na Autoridade Austríaca de Mercados Financeiros (FMA), ao ver que trabalhar no setor bancário lhe permitia atuar em todos os campos da economia.

Em cada etapa de sua ascensão, reconhece que sempre teve que enfrentar os mesmos preconceitos.

"Quando um homem se torna patrão, não é perguntado como pretende conciliar a vida privada com a profissional", sorri, surpresa por ter de responder a esse tipo de pergunta em reuniões públicas.

"As primeiras dúvidas estão sempre relacionadas ao fato de ser mulher", diz. "Só mais tarde surgem as perguntas sobre a minha estratégia ou as minhas ambições para a empresa".

Na Áustria, as mulheres estão sob forte pressão da sociedade para ficar em casa quando seu primeiro filho nasce.

Quase um terço das mulheres fica em casa, segundo dados oficiais. E quando voltam ao trabalho, geralmente o fazem em tempo parcial.

Como consequência, sua situação no mercado de trabalho se deteriora. Na classificação "Womem in Work" da agência de consultoria empresarial PwC, a Áustria ficou em 25º lugar entre 33 países da OCDE em 2018. Em 2013, estava em 13º.

"Estamos atrasados, acho que é especialmente o caso nos países de língua alemã", aponta Holzinger-Burgstaller.

"Todos devemos nos questionar sobre os estereótipos que persistem: como uma sociedade valoriza a troca de papéis? Como as meninas são orientadas em sua escolarização?", questiona a presidente.

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