Publicado 21 de Fevereiro de 2021 - 16h22

Por AFP

O economista de esquerda Andrés Arauz e o ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso vão disputar a eleição presidencial de 11 de abril no Equador, após as eleições de duas semanas atrás, nas quais o líder indígena de esquerda Yaku Pérez afirma ter sido alvo de fraude.

Arauz, herdeiro político do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), venceu o primeiro turno com 32,72% dos votos, seguido por Lasso (com 19,74%) e Pérez (19,39%), segundo os resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) neste domingo (21).

O vencedor sucederá Lenín Moreno, ex-aliado de Correa e cujo mandato de quatro anos terminará em 24 de maio.

"Hoje a democracia venceu, vamos com coragem e otimismo para este segundo turno", disse Lasso em nota. O conservador de 65 anos lidera a oposição a Correa, que o venceu nas eleições presidenciais de 2013.

Enquanto isso, Pérez, um advogado ambiental de 51 anos, afirma que a direita o afastou, depois de ser substituído por Lasso no segundo lugar durante a contagem preliminar.

"Vamos apresentar a impugnação a milhares de atas" eleitorais, disse Pérez à imprensa neste domingo em Riobamba. Em seguida, ele partiu à frente de uma marcha de indígenas e apoiadores, que planeja chegar a Quito na terça-feira para defender a votação do líder.

A lei estabelece que após a proclamação haja uma fase de contestação dos resultados da eleição presidencial de 7 de fevereiro, da qual participaram 16 candidatos.

"Essa resistência continua, no campo legal, jurídico, social e político", declarou Pérez.

Os indígenas, que representam 7% dos 17,4 milhões de habitantes do Equador, lideraram fortes protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis em outubro de 2019, obrigando o governo a revogar a medida. Os distúrbios deixaram onze mortos e mais de 1.300 feridos.

Eles também participaram de revoltas populares que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005.

Arauz, de 36 anos, candidato da coalizão União pela Esperança (Unes), indicou que "respeitamos as objeções de todos os atores políticos, desde que não alterem o calendário eleitoral".

Além do confronto entre a esquerda e a direita, "tem a luta correismo-anticorreismo", disse à AFP o cientista político Esteban Nichols, da Universidade Andina Simón Bolívar de Quito.

Lasso, um ex-banqueiro, que concorre à presidência pela terceira vez, "enfrenta sua eleição mais difícil e deve buscar alianças com antagonistas".

Assim, ele terá que cortejar o centrista Xavier Hervas, que ficou em quarto lugar com 15,68% dos votos e os partidos que o apoiaram.

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