Publicado 21 de Fevereiro de 2021 - 12h51

Por AFP

O economista de esquerda Andrés Arauz e o ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso vão disputar a eleição presidencial de 11 de abril no Equador após as eleições de duas semanas atrás, anunciou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) neste domingo(21).

Arauz, herdeiro políticos do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), venceu o primeiro turno com 32,72% dos votos, seguido por Lasso (com 19,74%) e o líder indígena esquerdista Yaku Pérez (19,39%), segundo o proclamação dos resultados pelo secretário do CNE, Santiago Vallejo.

A apuração foi aprovada com o voto de quatro dos cinco membros do corpo eleitoral presentes em reunião que foi retomada no sábado e se estendeu até a madrugada de domingo.

O vencedor sucederá Lenín Moreno, ex-aliado de Correa e cujo mandato de quatro anos terminará em 24 de maio.

Pérez, um advogado ambiental de 51 anos, afirma que a direita o afastou, depois de ser substituído por Lasso no segundo lugar durante a votação preliminar.

"Três dias (da contagem preliminar) estávamos em segundo lugar e no quarto dia nos colocaram em terceiro lugar, isso é fraude", disse a liderança indígena no sábado na cidade andina de Riobamba (sul).

Pérez pode insistir no seu pedido numa fase de contestação que por lei a CNE abrirá a partir da promulgação dos resultados.

O centrista Xavier Hervas ficou em quarto lugar com 15,68% dos votos e os demais candidatos - incluindo a oficial Ximena Peña, única mulher - conquistaram um apoio que chega a 2%.

Lasso, um conservador de 65 anos, lidera a oposição a Correa, que o venceu nas eleições presidenciais de 2013.

Além do confronto entre a esquerda e a direita, "tem a luta correismo-anticorreismo", disse à AFP o cientista político Esteban Nichols, da Universidade Andina Simón Bolívar de Quito.

Arauz, ex-ministro de Correa, não conseguiu conquistar a presidência no primeiro turno como seu padrinho em 2009 e 2013.

Para Nichols, Arauz herdou o eleitorado do ex-governante socialista, que vive na Bélgica desde que deixou o poder e foi condenado em 2020 a oito anos de prisão por corrupção.

"Por si só não gera voto. As pessoas votaram em Correa", disse o especialista.

Para defender os votos de Pérez, grupos indígenas realizaram vigílias pacíficas em frente à sede da CNE em Quito.

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