Publicado 20 de Fevereiro de 2021 - 19h50

Por AFP

Policiais e manifestantes se enfrentaram neste sábado (20) em Barcelona, pela quinta noite consecutiva, em mais um dos protestos em defesa do rapper Pablo Hasél, preso esta semana, que levaram milhares de pessoas às ruas do país.

Os distúrbios estouraram na noite de terça-feira na Catalunha, horas depois da prisão de Hasél, de 32 anos, condenado a nove meses por tweets em que insultava a monarquia e a polícia e elogiava pessoas envolvidas em crimes de terrorismo.

Desde então, foram realizadas manifestações todas as noites, o que gerou confrontos com a polícia, primeiro na Catalunha, região de origem de Hasél, que acabaram se espalhando para Madri e outros locais.

Milhares de manifestantes se reuniram a partir das 19h locais (15h no horário de Brasília) em Barcelona, mas os confrontos tiveram início quando eles começaram a marchar em direção às delegacias de polícia.

"Acho que a Espanha está passando por uma tendência repressiva muito preocupante", afirmou Avi Pérez, um trabalhador de hotel de 25 anos que está desempregado. "A violência não pode ser defendida, mas também é verdade que os protestos puramente pacíficos também não nos levaram a lugar nenhum", acrescentou.

A maioria dos presentes no ato em Barcelona eram jovens, embora também houvesse cidadãos mais velhos.

Para Josep María Arnal, um aposentado de 69 anos, o caso de Pablo Hasél "é a ponta do iceberg". "Por trás está um problema muito maior de liberdade de expressão, precariedade no trabalho, problemas de acesso à moradia, que leva a juventude ao limite", denunciou.

À noite, os manifestantes atiraram garrafas, latas e bombinhas contra os policiais, que avançaram contra eles, observou um correspondente da AFP.

Outros saquearam lojas como Nike, Versace, Tommy Hilfiger, Hugo Boss e Diesel. Também atacaram o prédio da Bolsa de Valores de Barcelona e incendiaram motocicletas.

A polícia regional indicou que 11 pessoas foram detidas em toda a Catalunha e oito em Barcelona. Segundo os serviços de emergência da região, os protestos deixaram seis feridos, incluindo dois em Barcelona.

Em Madri, cerca de 400 pessoas se reuniram diante de uma significativa presença policial no centro da cidade, cantando e batendo palmas.

"Pablo Hasél, liberdade!", gritavam, enquanto um helicóptero sobrevoava a área. Pelo menos 17 vans da polícia foram posicionadas na via central.

À tarde, centenas de pessoas se manifestaram em Málaga, Córdoba e Sevilha, no sul do país, informou a imprensa local, enquanto nas cidades de Santander e Logroño, no norte, também foram organizados protestos, que contaram com cerca de 100 participantes cada.

A prisão do rapper reacendeu o debate sobre a liberdade de expressão na Espanha e aprofundou as diferenças dentro da coalizão governamental, entre os socialistas, do presidente Pedro Sánchez, e o partido Podemos (esquerda radical).

Até o momento, mais de cem pessoas foram presas em meio aos protestos e centenas ficaram feridas, incluindo muitos policiais e uma jovem que perdeu um olho após ser atingida por uma bala de borracha disparada pela polícia.

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