Publicado 20 de Fevereiro de 2021 - 13h32

Por Estadão Conteúdo

Graças à volta dos estrangeiros à Bolsa e ao maior apetite do investidor brasileiro por aplicações de maior risco, reflexo direto dos juros baixos, as emissões de ações bateram recorde neste início de 2021 e surpreenderam até os mais otimistas. Nos primeiros 45 dias do ano, 13 empresas fizeram sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) na B3, a Bolsa paulista. Somando essas operações às emissões de ações de empresas já listadas, o volume chega a R$ 33 bilhões.

O valor é mais de cinco vezes maior do que o registrado no primeiro bimestre de 2007, último "boom" de oferta de ações no Brasil. Por causa disso, instituições financeiras já começam a revisar suas projeções de ofertas de ações. Já há quem aponte volume de mais de R$ 200 bilhões para 2021, ante projeção média anterior de R$ 150 bilhões.

"A movimentação neste início de ano não estava prevista e surpreendeu. Diria que o volume poderá ser 30% superior ao do ano passado", afirma o sócio e chefe da área de renda variável do BTG Pactual, Fabio Nazari. Em 2020, o volume financeiro de todas as operações em Bolsa no Brasil somou R$ 117 bilhões.

Em poucas semanas, o volume de ofertas de ações já bateu um quarto do volume total de 2020. E a fila de candidatas para abertura de capital segue extensa, com mais de 30 empresas já com pedido de oferta de papéis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

E a conta ainda não inclui as vendas bilionárias previstas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que devem inflar os números.

Os números podem ganhar outro reforço caso a Caixa Econômica Federal cumpra a promessa de levar suas subsidiárias à B3. A operação da holding de seguros está mais adiantada, mas unidades de cartões e de loterias também fazem parte dos planos.

Por ora, a operação de maior peso na Bolsa peso foi a abertura de capital da CSN Mineração, que movimentou R$ 5,2 bilhões. No entanto, o destaque ao longo de 2021 deve ir para uma maior quantidade de operações de menor porte - com forte participação do setor de tecnologia (leia mais abaixo).

Olhando adiante, são esperadas ainda para o primeiro semestre ofertas de peso, como a do Banco BV (ex-Votorantim); as varejistas Big (ex-Walmart) e Kalunga e a Nadir Figueiredo, dona da marca Marinex e famosa pelo pratos de vidro marrom e copos americanos.

Capital externo

Vitor Saraiva, responsável pela área de renda variável em mercado de capitais da XP Investimentos, aponta que, diante de um início de ano histórico, a estimativa para o volume de ofertas de ações - iniciais e as emissões de ações subsequentes (follow-on) - chega a R$ 200 bilhões divididos em cerca de cem operações. "Isso é fruto de taxas de juros estruturalmente baixas, maior fluxo de investidor local e, desde novembro, a vinda de investidores estrangeiros", ressalta.

Outro fator que empurra um número cada vez maior de empresas para uma abertura de capital é o fato de que elas finalmente enxergam a Bolsa como uma alternativa atraente para a captação de recursos.

"Temos muitas conversas acontecendo", afirma Saraiva. O movimento, segundo ele, começa a se espalhar por empresas de regiões brasileiras fora do eixo Rio-São Paulo, além de trazer também uma maior diversidade setorial.

O diretor global do banco de investimento do Itaú BBA, Roderick Greenless, aponta que o ritmo de ofertas de ações deve se manter aquecido nos próximos meses, tendo em vista as ofertas já com pedido de registro na CVM.

"Temos condições de terminar o mês de abril com 50 operações, entre IPOs e ofertas subsequentes", aponta o executivo. No fim do ano, o Itaú BBA estimava um volume de ofertas próximo de R$ 150 bilhões, mas já vê espaço para ajustar esse número chegar a R$ 180 bilhões.

O time do banco de investimento, que já cresceu ano passado, ganhará algumas contratações pontuais em 2021, tendo em vista o grande volume de operações na mesa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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