Publicado 19 de Fevereiro de 2021 - 23h10

Por AFP

O presidente americano, Joe Biden, convocou nesta sexta-feira (19) a seus aliados a trabalharem com os Estados Unidos para responder às "atividades desestabilizadoras" do Irã no Oriente Médio, um dia depois de Washington aceitar participar de conversas com Teerã e as potências europeias para reativar o acordo nuclear com a República Islâmica.

Horas antes, o Irã voltou a pedir aos Estados Unidos a suspensão de todas as sanções impostas pelo ex-presidente Donald Trump.

O momento atual é especialmente delicado. Em virtude de uma lei aprovada pelo Parlamento iraniano, o governo planeja restringir a partir de 23 de fevereiro o acesso dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a algumas instalações se os Estados Unidos não suspenderem suas sanções.

No sábado está prevista uma visita a Teerã do diretor da AIEA, Rafael Grossi.

As inspeções fazem parte do acordo assinado em 2015 pelo Irã e o chamado grupo 5+1 (Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China) para limitar o alcance do programa nuclear iraniano.

Desde que o governo Trump decidiu abandonar este pacto em 2018 e restabelecer sanções econômicas contra o Irã, Teerã vem deixando de cumprir os compromissos que tinha assumido em 2015.

Em seu primeiro grande discurso sobre política externa desde que assumiu a Presidência em 20 de janeiro, Biden abordou nesta sexta-feira o programa nuclear iraniano.

"A ameaça de proliferação nuclear requer ainda uma diplomacia prudente e cooperação entre nós", disse Biden a seus aliados europeus durante a Conferência de Munique sobre segurança, realizada virtualmente.

"Por isso, declaramos que estamos dispostos a retomar as negociações do grupo 5+1 sobre o programa nuclear", disse.

"Também devemos responder às atividades desestabilizadoras do Irã no Oriente Médio, e vamos trabalhar em estreita colaboração com nossos parceiros europeus e os demais", afirmou na Casa Branca.

Washington e Teerã não têm relações diplomáticas desde 1980.

Durante o mandato de Trump, os Estados Unidos levaram adiante uma política de pressão sobre o Irã, ao qual seu governo acusava de apoiar o "terrorismo" e querer desenvolver a arma atômica.

A República Islâmica sempre negou que tivesse intenção de possuir armas nucleares. O acordo internacional de 2015 previa a suspensão das sanções em troca de que o Irã renunciasse à bomba atômica.

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