Publicado 19 de Fevereiro de 2021 - 22h20

Por AFP

A espera terminou para um grupo de 25 migrantes, o primeiro a cruzar nesta sexta-feira (19) do México para os Estados Unidos, onde seguirão com seu processo de pedido de asilo como parte da nova política de imigração do presidente americano, Joe Biden.

Sua entrada a partir da cidade de Tijuana marcou o fim da medida que os obrigou a permanecer no México enquanto os tribunais americanos respondiam aos seus pedidos.

Essa política foi implementada pelo ex-presidente Donald Trump por meio do Programa de Proteção ao Migrante (MPP, na sigla em inglês).

Os migrantes atravessaram em um ônibus até a cidade de San Diego, nos EUA, acompanhados por funcionários do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), apurou um jornalista da AFP.

Um oficial encarregado de um abrigo para migrantes em San Diego confirmou por sua vez que essas pessoas já estavam acomodadas em um hotel e que receberiam ajuda para chegar a seus destinos.

Para serem beneficiários imediatos, os interessados já devem ter um processo de asilo iniciado.

"O Acnur é quem conduz o processo com o governo do México, eles definem quem tem um caso ativo perante o juiz de imigração ou um recurso", explicou à imprensa Ericka Piñero, advogada da organização de defesa de migrantes Al Otro Lado.

Em El Chaparral, Tijuana, vários migrantes passaram a noite ao lado da cerca gradeada que marca a fronteira entre o México e os Estados Unidos. Havia cerca de cem centro-americanos e 400 haitianos.

Com seus poucos pertences, alguns carregando famílias inteiras e usando máscaras de proteção contra a covid-19, eles olharam com esperança para o norte.

A maioria reconheceu que não chegou a iniciar nenhum procedimento formal e apenas três conseguiram cruzar entre aplausos. Porém, ficaram nos Estados Unidos por pouco tempo: foram devolvidos sob a alegação de problemas técnicos.

A hondurenha Nelly Maribel Cabrera entrou com seus documentos para uma audiência no tribunal que tinha marcada para esta sexta, mas foi adiada para a próxima quarta-feira.

"Confio no novo presidente, que ele vai me ouvir e me ajudar porque estou aqui há dois anos", disse Cabrera à AFP depois de ser devolvida ao México.

A multidão ficou desanimada com a falta de avanço ao norte. Ali estava a haitiana Geraldine Nacice, que chegou há dois anos a Tijuana e tem uma filha nascida no México.

"Na verdade, não tenho nada marcado, mas não posso mais ir para o meu país, o Haiti está em guerra agora. Minha família está esperando por mim" nos Estados Unidos, contou.

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