Publicado 19 de Fevereiro de 2021 - 17h10

Por Estadão Conteudo

O governador de São Paulo, João Doria

Divulgação/ Portal do Governo do Estado de SP

O governador de São Paulo, João Doria

O governador de São Paulo, João Doria, ficou indignado com a postura do Ministério da Saúde de tentar colocar a culpa pela falta de vacinas contra covid-19 no País no atraso na entrega de doses da Coronavac. "O Ministério da Saúde omitiu informações para tentar responsabilizar o Instituto Butantan pelo atraso na entrega de doses da vacina. Já foram entregues 9,8 milhões doses para imunização. De cada 10 brasileiros, nove estão recebendo a vacina do Butantan", disse.

Este é mais um episódio de tensão entre governo federal e paulista. Na quinta-feira, 18, o Ministério da Saúde disse que iria repensar a distribuição de doses das vacinas por causa de atrasos na entrega pelo Butantan. "É inacreditável que o Ministério da Saúde queira atribuir ao Butantan a responsabilidade pela sua incompetência, sua ineficiência e sua incapacidade", afirmou Doria. "Vamos cumprir integralmente o compromisso com o ministério", continuou.

Segundo Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, o comprometimento com a entrega dos imunizantes é enorme. "Foi assinado o contrato no dia 7 de janeiro. Foi dito ao ministério de que haveria atraso de matéria-prima, pois éramos para ter recebido no dia 6 de janeiro. E para se ter uma ideia, o ministério pagou adiantado para os dois contratos, com AstraZeneca e Covax, mas não recebeu nenhuma dose. Existe falta de planejamento", explicou, mostrando os ofícios que foram encaminhados no ano passado ao ministério oferecendo vacinas.

"Até abril vamos totalizar 46 milhões de doses, que é objeto do primeiro contrato com o Ministério da Saúde. De maio a agosto serão mais 54 milhões de doses, que dependem da chegada de insumos da China. Este é o segundo contrato. Então vamos totalizar 100 milhões de doses até agosto", continuou, lembrando que as críticas do governo federal à China não contribuem para agilizar os processos. "O ministério precisa assumir sua responsabilidade. Precisamos olhar a realidade e não a ficção."

O ritmo lento da vacinação no Brasil fez com que Eduardo Pazuello, ministro da saúde, mudasse a orientação para aplicação das doses. Em um primeiro momento, a ideia era guardar a segunda dose para garantir a imunização completa da pessoa que já foi vacinada. Agora, ele entende que não é preciso reter metade dos lotes disponíveis até a aplicação da segunda dose do imunizante. A nova orientação passaria a valer a partir do dia 23 deste mês.

Para o governo paulista, essa determinação é uma boa iniciativa, mas por causa das relações estremecidas, prefere esperar uma comunicação oficial para mudar o plano de vacinação. "Se vier um ofício iniciaremos imediatamente a liberação dessas doses. Mas precisamos de um documento que nos dê essa segurança", avisou Regiane de Paula, coordenadora de controle de doenças da secretaria de Estado da Saúde.

Para João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência Covid-19, se a orientação for oficializada será um avanço importante na vacinação no Estado. "Eu defendo a tese de que devemos vacinar o mais rapidamente todas as pessoas com mais de 60 anos. Para mim essa decisão é correta", comentou.

Estimativas do governo paulista apontam que se São Paulo conseguir incluir a vacinação para pessoas acima de 75 anos, cerca de 40% das mortes podem diminuir. E se conseguir incluir as pessoas com mais de 60 anos, é possível reduzir as internações pela metade.

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