Publicado 19 de Fevereiro de 2021 - 12h22

Por AFP

Os temores de que a inflação saia de controle devido ao imenso pacote de alívio econômico defendido pelo governo dos Estados Unidos estão superestimados, disse nesta sexta-feira (19) a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath.

"A evidência nas últimas quatro décadas aponta que é pouco provável que com o pacote proposto, Estados Unidos experimente um aumento dos preços que leve à inflação persistentemente acima do objetivo de 2% estabelecido pelo Federal Reserve" (Fed), disse Gopinath na página do FMI.

Esses argumentos contradizem as críticas ao pacote de cerca de 1,9 trilhão de dólares defendido pelo governo de Joe Biden, mas que também gera resistências, inclusive entre economistas democratas que apontaram sua preocupação por um aumento dos preços.

Gopinath estimou que contabilizando a maior parte do plano, a inflação chegaria a "2,25% em 2022, o que não é nada preocupante".

Alguns economistas, incluindo o ex-secretário do Tesouro Larry Summers, pediram cautela, afirmando que um excesso de gastos poderia gerar uma espiral inflacionária que a Reserva Federal pode ter dificuldades para controlar.

Durante a crise financeira global da década passada, a inflação anual mal atingiu a meta do Fed de 2%, e em dezembro o aumento dos preços nos Estados Unidos foi de 1,3%.

Gopinath estimou que este plano vai impulsionar o PIB entre 5% e 6% em três anos, o que se igualaria à contração de 3,5% em 2020.

O FMI apoia fortemente planos de estímulo em grande escala para enfrentar a crise gerada pela covid-19, que deixou milhões de pessoas sem emprego.

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, reiterou na quinta-feira a postura do governo de Biden de que "o preço de fazer muito pouco é maior que o preço de fazer algo grande".

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