Publicado 19 de Fevereiro de 2021 - 10h10

Por AFP

A Nasa conseguiu executar com sucesso na quinta-feira o pouso em Marte de seu veículo de exploração Perseverance, o quinto robô a realizar a façanha sem problemas e o primeiro que terá como objetivo responder a pergunta de se o planeta vermelho já abrigou vida.

"Pouso confirmado", anunciou a chefe de missão Swati Mohan às 15h55, hora da costa leste dos Estados Unidos (17h55 de Brasília) na quinta-feira. Após o anúncio, todo o centro de controle da missão na sede do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, Califórnia, explodiu em aplausos.

A Nasa publicou na conta do Twitter da missão Perseverance uma foto em preto e branco capturada pelo dispositivo, que mostra a superfície granulada da cratera de Jezero, no hemisfério norte de Marte.

O pouso do rover, o maior e mais sofisticado enviado até hoje ao planeta vermelho, foi uma façanha. Os cientistas haviam descrito o procedimento como "os sete minutos de terror", pelo risco e delicadeza da operação.

O presidente americano, Joe Biden, comemorou o feito "histórico".

"Parabéns à Nasa e a todos os que trabalharam intensamente para que a histórica chegada do Perseverance fosse possível", escreveu o presidente no Twitter.

Depois de entrar na atmosfera marciana a uma velocidade de 20.000 km/h, a temperatura elevou-se a 1.300 Cº. O veículo estava protegido por um escudo térmico, que ativou a abertura de um enorme paraquedas supersônico.

Então, seus oito motores o ajudaram a frear para, em seguida, ativar suas seis rodas e tocar o solo.

A manobra foi tão perfeita que Thomas Zurbuchen, administrador associado para Ciência da Nasa, destacou a façanha na entrevista coletiva subsequente com um gesto teatral.

"Cada vez que pousamos, temos dois planos, um que queremos realizar e outro que está bem aqui", disse ele, mostrando várias páginas em suas mãos. "Veja o que eu faço com o plano imprevisto", continuou, enquanto rasgava os papéis, arrancando aplausos dos presentes.

A Nasa prometeu publicar um vídeo inédito da descida vertiginosa do Perseverance na segunda-feira.

O veículo tentará coletar quase 30 rochas e mostras do solo que serão enviadas de volta à Terra na década de 2030 para análise.

Os cientistas acreditam que a cratera Jezero abrigava um lago de quase 50 km de largura há mais de 3,5 bilhões de anos.

"A pergunta de se havia vida além da Terra é uma das mais fundamentais e essenciais que podemos nos fazer", disse a geóloga da Nasa Katie Stack Morgan.

As primeiras mostras devem começar a ser coletadas durante o verão (hemisfério norte, inverno no Brasil). Serão coletadas de diferentes meios, incluindo a margem do antigo lago e o delta formado por um rio que desemboca no mesmo.

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