Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 22h20

Por AFP

A Nasa conseguiu fazer posar em Marte nesta quinta-feira (18) seu veículo robótico de exploração Perseverance, a quinta nave a realizar a façanha sem problemas e a primeira que terá como objetivo responder a pergunta de se o planeta vermelho abrigou vida.

"Pouso confirmado", disse a chefe de missão Swati Mohan às 15h55, hora da costa leste dos Estados Unidos (17h55 de Brasília). Após o anúncio, todo o centro de controle da missão na sede do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, Califórnia, explodiu em aplausos.

A Nasa publicou na conta do Twitter da Perseverance uma foto em preto e branco capturada pelo dispositivo, que mostra a superfície granulada da cratera de Jezero, no hemisfério norte de Marte.

A missão foi uma façanha, já que a manobra de descida era muito arriscada, devido ao relevo da cratera, onde a Nasa tentou posicionar a nave. Os cientistas batizaram o processo de "os sete minutos de terror" pela incerteza vivida.

O presidente americano, Joe Biden, comemorou o feito "histórico" gesta.

"Parabéns à Nasa e a todos os que trabalharam intensamente para que a histórica chegada do Perseverance fosse possível", escreveu o presidente no Twitter.

Após entrar na atmosfera marciana a uma velocidade de 20.000 km/h, a temperatura elevou-se a 1.300 Cº. O veículo é protegido por um escudo térmico, que ativou a abertura de um enorme paraquedas supersônico.

Então, seus oito motores o ajudaram a frear para, então, ativar suas seis rodas e tocar o solo.

Nos próximos meses, o veículo coletará cerca de 30 rochas e amostras do solo, que serão enviadas de volta à Terra na década de 2030 para análise.

Os cientistas acreditam que a cratera Jezero abrigava um lago com cerca de 50 km de largura há mais de 3,5 bilhões de anos.

"A pergunta de se havia vida além da Terra é uma das mais fundamentais e essenciais que podemos nos fazer", disse a geóloga da Nasa Katie Stack Morgan.

"Nossa habilidade de nos fazermos essa pergunta e desenvolver pesquisas científicas e tecnologia para respondê-las é uma das coisas que nos faz únicos como espécie", acrescentou.

O Perseverance se move a uma velocidade máxima de 0,16 km por hora, o que parece lento, mas supera todos os seus antecessores e, enquanto se desloca, analisa o solo em busca de matéria orgânica, faz um mapa da composição química e analisa a presença de vapor.

"Nós, astrobiólogos, sonhamos com essa missão durante décadas", disse Mary Voytek, diretora do programa deste braço científico da Nasa.

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