Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 19h50

Por AFP

O novo chefe de governo italiano, Mario Draghi, conseguiu nesta quinta-feira (18) a confiança da Câmara dos Deputados, após ter obtido na véspera por maioria esmagadora a do Senado para "reconstruir" o país em meio à grave crise sanitária e econômica.

À noite, 535 deputados votaram a favor do ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e sua equipe, enquanto 56 se declararam contra e 5 se abstiveram.

A votação foi o último passo para sua posse oficial, segundo o sistema parlamentar em vigor na Itália. Na véspera, Draghi obteve no Senado 262 votos a favor, 40 contra e 2 abstenções.

"Nunca em minha longa vida profissional houve um momento de tanta emoção e responsabilidade", disse o economista de 73 anos à Câmara, pouco antes da votação.

Um dia antes, Draghi ilustrou aos senadores seu programa de reformas, de viés europeísta e ecologista, em seu primeiro discurso público, no qual também pediu unidade aos partidos para levar o país adiante.

Considerado o homem providencial para reativar a terceira economia da zona do euro, Draghi, prometeu antes de tudo "lutar contra a pandemia com todos os meios para salvar as vidas dos nossos concidadãos".

A Itália se aproxima da marca dos 100.000 mortos pela covid e a campanha de vacinação desacelerou pro problemas de abastecimento.

O novo primeiro-ministro italiano garantiu uma campanha de imunização eficiente "após ter obtido quantidades suficientes de vacinas para distribuí-las de forma rápida e eficaz".

"Assim como os governos imediatamente após a guerra, temos a responsabilidade de lançar uma nova reconstrução", advertiu.

"Nossa missão como italianos é deixar um país melhor e mais justo para nossos filhos e netos", acrescentou.

Draghi também defendeu uma "União Europeia mais integrada com um orçamento público comum, capaz de apoiar os Estados-membros durante os períodos de recessão" e confirmou o euro como a única moeda possível.

"Sem a Itália, não há Europa", disse Draghi, em clara advertência ao partido de ultradireita e antieuropeu de Matteo Salvini, que apoia seu governo, mas não perde a oportunidade de gerar controvérsias.

O novo premier chefia um Executivo de tecnocratas e políticos de todas as tendências, da esquerda à direita, passando pelos antissistema do Movimento 5 Estrelas.

Para alcançar a reconstrução mais ambiciosa da Itália, comparável à dos anos imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, a Itália precisa superar uma recessão histórica com queda do PIB de -8,9% em 2020, graças ao fundo extraordinário outorgado pela União Europeia de 200 bilhões de euros (240 bilhões de dólares).

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