Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 18h20

Por AFP

Os democratas apresentaram nesta quinta-feira (18) o ambicioso projeto de plano migratório apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden - que busca criar uma via de naturalização para os 11 milhões de imigrantes sem documentos - mas reconheceram que o trâmite legislativo enfrenta resistências.

A iniciativa foi apresentada pelos parlamentares democratas Linda Sánchez, na Câmara dos Deputados, e Bob Menéndez, no Senado.

Chegou a hora de "tirar 11 milhões de imigrantes sem documentos das sombras", afirmou Menéndez durante uma entrevista coletiva virtual com outros legisladores.

Essa legislação surge em um momento em que a Casa Branca busca aprovar no Congresso um plano de ajuda econômica de US$ 1,9 trilhão, pelo qual terá de negociar com os republicanos para retomar uma recuperação agonizante.

No Senado, os democratas têm 50 cadeiras, o mesmo que os republicanos, mas os primeiros podem usar o voto da vice-presidente Kamala Harris para desempatar.

Nesse caso, porém, ficam à mercê do bloqueio de obstáculos administrativos, razão pela qual são necessários 60 votos para processar a reforma migratória.

"Sabemos que o caminho a seguir requer negociações com os outros, mas não vamos fazer concessões de início", explicou Menéndez, que admitiu não saber se chegarão aos 60 votos até que tentem.

A presidente da Câmara dos Representantes (deputados), Nancy Pelosi, comemorou a iniciativa de forma integral.

"Há outros que querem fazer isso aos poucos e isso também pode ser uma boa abordagem. Isso tem que ser decidido pelo Congresso", afirmou Pelosi.

Na Câmara dos Representantes, a proposta não foi bem recebida pelos republicanos, que publicaram um informe no qual disseram que essa reforma "vai reviver as políticas fracassadas do governo Obama-Biden e fazer com que os americanos estejam menos seguros".

Menéndez defendeu que há um "imperativo econômico e moral" para aprovar uma reforma ampla e inclusiva que "não deixe ninguém para trás", mas reconheceu que se certos elementos forem feitos para avançar e serem aprovados, também será positivo.

O principal objetivo do projeto é criar uma via para cidadania de 11 milhões de pessoas sem documentos, na condição de que estivessem nos Estados Unidos em 1º de janeiro de 2021.

Um dos grupos beneficiados com a iniciativa são os chamados "Dreamers" - jovens que chegaram irregularmente aos Estados Unidos com os pais ainda como menores de idade - pois terão acesso à residência permanente.

Durante o governo Barack Obama, esse grupo de cerca de 700 mil jovens - a maioria de origem latino-americana - se beneficiou de um estatuto de proteção que seu sucessor, Donald Trump, tentou cancelar em uma disputa judicial que chegou à Suprema Corte.

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