Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 16h20

Por AFP

Altos funcionários de França, Reino Unido e Alemanha conversaram nesta quinta-feira (18) com autoridades dos Estados Unidos sobre como salvar o acordo nuclear com o Irã, que pode limitar o acesso de inspetores internacionais a algumas instalações nos próximos dias.

O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, recebeu seus homólogos alemão, Heiko Maas, e o britânico, Dominic Raab, em Paris,em um encontro no qual o secretário americano, Antony Blinken participaria por videoconferência.

A pauta principal é o pacto de 2015, abalado desde que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, o abandonou unilateralmente em 2018.

O Plano de Ação Global Conjunto (JCPOA) visa a impedir o Irã de se equipar com armas nucleares, em troca de um alívio gradual das sanções internacionais que sufocam sua economia.

Mas a República Islâmica respondeu ao restabelecimento das fortes sanções dos EUA, deixando, progressivamente, de honrar sua parte no acordo.

Os diálogos diplomáticos se intensificaram diante de um prazo preocupante: sob nova legislação aprovada em dezembro, o Irã planeja restringir o acesso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a algumas instalações se os EUA não suspenderem as sanções impostas desde 2018.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, deve viajar a Teerã no sábado para "encontrar uma solução mutuamente aceitável", de acordo com o órgão sediado em Viena.

Rohani disse que estava disposto a recebê-lo. "Se você quer negociar, é preciso negociar", disse na quarta-feira, garantindo que "não se trata de deixar a atividade nuclear sem fiscalização".

A chegada de Joe Biden à Casa Branca em janeiro gerou esperanças de que o diálogo entre Washington e Teerã fosse retomado, após uma política de "pressão máxima" exercida por seu antecessor.

Mas Biden disse que os EUA pretendem retornar ao pacto quando o Irã retomar seus compromissos na totalidade. Já a República Islâmica pede que primeiro sejam levantadas as sanções.

"Ainda há uma pequena oportunidade para limitar os danos", disse à AFP Ellie Geranmayeh, especialista em Irã do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR).

"O que é necessário agora são gestos americanos concretos que realmente mostrem ao Irã que os EUA estão se afastando da política de pressão máxima do mandato de Trump", acrescentou.

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