Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 16h10

Por AFP

O novo chefe de governo italiano, Mario Draghi, pediu nesta quinta-feira (18) a confiança da Câmara dos Deputados, após ter obtido na véspera por maioria esmagadora a do Senado para "reconstruir" o país em meio à grave crise sanitária e econômica.

Draghi, que obteve a confiança do Senado na noite de quarta-feira por 262 votos a favor, 40 contra e duas abstenções, deveria alcançar sem problemas a confiança dos deputados graças ao apoio de quase todas as forças políticas.

Este voto constitui o último passo para sua posse oficial, segundo o sistema parlamentar em vigor na Itália.

O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), de 73 anos, ilustrou aos senadores seu programa de reformas, de viés europeísta e ecologista, em seu primeiro discurso público, no qual também pediu unidade aos partidos para levar o país adiante.

Considerado o homem providencial para reativar a terceira economia da zona do euro, Draghi, prometeu antes de tudo "lutar contra a pandemia com todos os meios para salvar as vidas dos nossos concidadãos".

A Itália se aproxima da marca dos 100.000 mortos pela covid e a campanha de vacinação desacelerou pro problemas de abastecimento.

O novo primeiro-ministro italiano garantiu uma campanha de imunização eficiente "após ter obtido quantidades suficientes de vacinas para distribuí-las de forma rápida e eficaz".

"Assim como os governos imediatamente após a guerra, temos a responsabilidade de lançar uma nova reconstrução", advertiu.

"Nossa missão como italianos é deixar um país melhor e mais justo para nossos filhos e netos", acrescentou.

Draghi também defendeu uma "União Europeia mais integrada com um orçamento público comum, capaz de apoiar os Estados-membros durante os períodos de recessão" e confirmou o euro como a única moeda possível.

"Sem a Itália, não há Europa", disse Draghi, em clara advertência ao partido de ultradireita e antieuropeu de Matteo Salvini, que apoia seu governo, mas não perde a oportunidade de gerar controvérsias.

O novo premier chefia um Executivo de tecnocratas e políticos de todas as tendências, da esquerda à direita, passando pelos antissistema do Movimento 5 Estrelas.

Para alcançar a reconstrução mais ambiciosa da Itália, comparável à dos anos imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, a Itália precisa superar uma recessão histórica com queda do PIB de -8,9% em 2020, graças ao fundo extraordinário outorgado pela União Europeia de 200 bilhões de euros (240 bilhões de dólares).

Draghi esboçou também uma série de reformas indispensáveis entre os maiores desafios da sua gestão.

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