Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 14h10

Por AFP

Os números ainda estão no vermelho para o Vaticano devido à queda nas doações (25%), à perda líquida de receita dos Museus do Vaticano (85%) e às reduções que teve de aplicar em 2020 aos aluguéis de suas instalações para empresas em crise após um ano difícil causado pela pandemia.

"É um período difícil para o Vaticano, como para todo o mundo", admitiu um alto funcionário da Santa Sé, que consultou as contas de 2020 e as comentou para a AFP.

"A situação financeira não é alarmante", frisa.

A Cúria Romana, administração central da Igreja, que agrupa 60 entidades ao serviço do papa, regista um buraco "na ordem dos 90 milhões de euros" (108 milhões de dólares), nas suas contas de 2020, face a um déficit de 11 milhões de euros (13 milhões de dólares) em 2019.

Essa é uma das peças do quebra-cabeça que constituem as contas não consolidadas do Vaticano, calculadas separadamente pelo Governador do Estado da Cidade do Vaticano, o banco do Vaticano, o Denário de São Pedro, um fundo de pensões e fundações. No total, o Vaticano emprega cerca de 5.000 pessoas, que recebem regularmente seus salários.

O orçamento para 2021 da Cúria foi aprovado terça-feira pelo "Conselho de Economia", do qual fazem parte cerca de vinte pessoas, que se reuniram por videoconferência, informou o Vaticano na quarta-feira, sem dar mais detalhes.

No ano passado, a Santa Sé teve que utilizar suas reservas financeiras, que estavam bem supridas para poder sustentar "vários anos" em caso de necessidade.

Com isso, compensou uma queda da ordem de "20 a 25%" em suas receitas em 2020, que provavelmente se repetirá em 2021, segundo a mesma fonte vaticana.

O chamado "Denário de San Pedro", que arrecada doações ao papa de todo o mundo, registrou uma queda de cerca de 25%. Grandes doações de dioceses ou instituições também registraram quedas semelhantes.

A reabertura dos Museus do Vaticano em 1º de fevereiro significaram uma boa notícia. O Governador do Estado, que os administra, teve que cortar pela metade os 30 milhões de euros que costuma contribuir com a Cúria para seu funcionamento.

Por sua vez, o Banco do Vaticano (IOR) aumentou a sua contribuição para a Cúria, cerca de 32 milhões de euros, contra 12 milhões em 2019.

Devido à pandemia, o papa aumentou os gastos com ajuda humanitária, em particular as contribuições para igrejas no Leste.

O Vaticano, dono de muitos imóveis, principalmente em Roma, decidiu apoiar empresas em dificuldade com a redução dos aluguéis comerciais.

Paralelamente, a Cúria no ano passado economizou cerca de 10% de suas despesas cancelando conferências e viagens, de acordo com uma fonte interna do Vaticano.

A margem de manobra do Vaticano é estreita porque "ele não pode pedir emprestado ou aumentar impostos como um estado", explicou o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero Alves no início de outubro, chefe da Secretaria de Economia do Estado desde janeiro de 2020. do Vaticano.

Escrito por:

AFP