Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 11h40

Por AFP

Após sete meses de viagem, o rover Perseverance da NASA pousará em Marte nesta quinta-feira (18), em busca de vestígios de vida antiga. No sistema solar, outros astros, incluindo luas geladas, também podem hospedar formas de vida.

A chave para a busca por seres vivos é a presença de água líquida. Em seguida, fala-se de "zona habitável" em torno de uma estrela, ou seja, a área "onde é teoricamente possível, com pressão atmosférica suficiente, manter água líquida na superfície", explica Athena Coustenis, astrofísica e diretora de pesquisa do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica francês) no Observatório PSL de Paris.

Mas, para a vida em si, são necessários mais ingredientes. "O planeta deve conter moléculas orgânicas, os "CHNOPS" (carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre)", os principais componentes da vida, acrescenta Michel Viso, exobiólogo do CNES, a agência espacial francesa.

Então, para que as reações possam levar a um metabolismo e, portanto, ao início da vida, é necessária uma fonte de energia. Na superfície, pode vir do Sol e, em profundidade, de reações químicas, ou de efeitos da maré.

Quando a água, as moléculas e a energia se fundem em um ambiente estável, a vida tem todas as chances de emergir.

Considerado o irmão gêmeo da Terra, o Planeta Vermelho poderia ter atendido a esses critérios entre 3,5 bilhões e 4 bilhões de anos atrás.

A Terra está no meio da zona habitável do nosso sistema solar, que mudou com o tempo. "Como o Sol nem sempre teve a mesma massa, a mesma energia, Marte também pode ter estado nesta zona habitável desde o início de sua existência", explica Coustenis.

Uma série de pistas indica que a vida pode ter ocorrido em Marte, antes de desaparecer depois que o planeta perdeu sua atmosfera e oceanos, dizem alguns cientistas.

Água líquida fluiu em abundância para sua superfície, isso hoje é uma certeza. Além disso, grandes depósitos de lama indicam trocas entre a superfície e a profundidade, o que mostra que o planeta está ativo.

Por causa de sua atmosfera pouco densa, "não há líquido na superfície atualmente, então é preciso perfurar o solo", diz Michel Viso.

A Europa é uma das quatro luas de Júpiter, o maior planeta do sistema solar. "É o primeiro satélite natural, no qual foram vistos vestígios na superfície que nos permitem supor um oceano de água líquida por baixo", conta Coustenis.

Esses vestígios são interpretados pelos geofísicos "como movimentos de grandes blocos de gelo na superfície".

Existem também, provenientes de falhas na superfície, gêiseres, um sinal de atividade criovulcânica (vulcões de gelo) e, portanto, uma fonte de energia.

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