Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 11h00

Por AFP

Várias ONGs pediram à ONU, nesta quinta-feira (18), que assuma o caso da princesa Latifa, filha do emir de Dubai, que diz estar sendo mantida como "refém" e teme por sua vida em vídeos divulgados esta semana pela imprensa britânica.

A princesa de 35 anos, filha de Mohammed bin Rached al-Maktum, responsável pelo emirado de Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, tentou sem sucesso escapar de barco dessa Cidade-Estado do Golfo.

"Simplesmente esperamos que a ONU peça, de maneira plena e clara, sua libertação, e não apenas uma prova de vida", declarou à AFP Hiba Zayadin, pesquisadora sobre Golfo da ONG Human Rights Watch.

"Não sabemos qual é a situação da princesa Latifa neste momento. Os vídeos divulgados recentemente pela BBC não nos permitiram verificar quando e onde foram publicados", completou.

Pessoas próximas da princesa, que afirmam não ter notícias dela há vários meses, transmitem esses vídeos em que Latifa afirma estar trancada em uma "mansão transformada em prisão".

Na terça-feira, uma porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse à BBC que questionará os Emirados Árabes Unidos sobre a princesa.

Um dia depois, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, pediu provas de que a princesa Latifa está viva, em declarações ao canal Sky News, ao comentar um "caso muito difícil".

A ONG Anistia Internacional pediu "à comunidade internacional que preste atenção aos pedidos de ajuda de xeica Latifa" e saudou a promessa da ONU de "levar a questão às autoridades".

"O conteúdo dos vídeos que a princesa Latifa gravou é assustador e estamos extremamente preocupados com sua segurança", disse a diretora adjunta da Anistia para o Oriente Médio e o Norte da África, Lynn Maalouf.

Em março de 2020, a Justiça britânica entendeu que o emir de Dubai ordenou o sequestro de duas de suas filhas, Latifa e Shamsa. Com apenas 18 anos, esta última tentou fugir do pai em 2000, enquanto estava de férias na Inglaterra.

Segundo o relato de Latifa, Shamsa foi encontrada depois de dois meses, foi "drogada", levada de volta para Dubai e "presa".

As ONGs acusam regularmente os Emirados Árabes Unidos, um rico estado do Golfo próximo aos países ocidentais, de violar os direitos humanos e suprimir vozes críticas.

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