Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 10h10

Por AFP

A polícia espanhola deteve, na quarta-feira (17), mais de 50 pessoas, na segunda noite de confrontos após a prisão do rapper Pablo Hasél por insultar no Twitter a monarquia e as forças de segurança.

As primeiras manifestações ocorreram na terça-feira à noite na Catalunha, horas depois que a polícia prendeu o rapper de 32 anos para começar a cumprir uma pena de nove meses de prisão.

O artista se recusou a se entregar voluntariamente e se barricou na universidade de sua cidade, Lérida (Catalunha).

Os protestos se espalharam por Madri na quarta-feira, onde centenas de manifestantes entraram em choque com a polícia no centro da Puerta del Sol, aos gritos de "Pablo Hasél, liberdade!".

Com cassetetes nas mãos, os policiais investiram várias vezes contra os manifestantes, que responderam jogando garrafas e quebrando as vitrines de algumas lojas próximas.

Na capital, 19 pessoas foram detidas, informou a delegação do governo, nesta quinta, em Madri. Os serviços de emergência registraram 55 feridos, incluindo 35 policiais.

Também houve incidentes violentos na cidade andaluza de Granada, onde os manifestantes queimaram contêineres de lixo. As autoridades reportaram quatro detidos à AFP.

Em Barcelona, os manifestantes atiraram objetos contra a polícia e montaram barricadas que depois foram incendiadas. Os agentes controlaram a situação com bolas de espuma.

Em toda Catalunha, a polícia regional, Mossos d"Esquadra, disse ter prendido 33 pessoas na quarta-feira. Fontes médicas reportaram o atendimento de oito feridos leves.

Na noite de terça-feira, 15 pessoas já haviam sido presas na Catalunha, por protestos em que 30 pessoas ficaram feridas, incluindo 19 policiais.

Hasél, que tinha antecedentes criminais, foi preso por crime de glorificação do terrorismo em tuítes publicados entre 2014 e 2016, que lhe renderam uma condenação em 2018.

Neles, descreveu o rei Juan Carlos I como um "mafioso" e um "ladrão", acusou a polícia de matar e torturar migrantes e manifestantes e mencionou pessoas envolvidas em crimes de terrorismo.

Seu caso gerou um novo debate sobre a liberdade de expressão na Espanha. A organização Anistia Internacional considerou a sentença "desproporcional" e, antes de sua prisão, cerca de 200 personalidades, incluindo o cineasta Pedro Almodóvar e o ator Javier Bardem, assinaram um manifesto em apoio ao rapper.

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