Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 9h40

Por AFP

A decisão do Facebook de retirar as notícias de sua plataforma na Austrália é a resposta a uma legislação que obrigaria os gigantes da tecnologia a pagarem por compartilhar conteúdo de notícias.

Confira abaixo um resumo das normas propostas, os motivos da rejeição de empresas como o Facebook e o que podem significar para os usuários.

Depois de duas décadas de regulamentações que não afetaram muito suas atividades, empresas de tecnologia como Google e Facebook estão agora sob maior vigilância dos governos.

Na Austrália, as agências reguladoras enfatizam o controle da publicidade on-line dos grupos "Big Tech" e seu impacto nos meios de comunicação que enfrentam dificuldades.

De acordo com o organismo de controle da concorrência da Austrália, para cada 100 dólares gastos em publicidade on-line, o Google leva 53, o Facebook, 28, e o restante é dividido entre os demais.

Para uma concorrência mais justa, a Austrália deseja que Google e Facebook paguem pelo uso de conteúdos de notícias, caros de produzir, em suas buscas e feeds.

Depois de muitas idas e vindas, a Câmara de Representantes aprovou versões levemente modificadas desta proposta legislativa, e o Senado está prestes a fazer o mesmo.

Depois que o Facebook decidiu retirar as notícias da plataforma nesta quinta-feira, o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, ressaltou a vontade de seguir adiante com a legislação, apesar da pressão.

Embora as novas regras sejam aplicadas apenas na Austrália, os reguladores de outros países estão estudando cuidadosamente se o sistema funciona e se pode ser aplicado.

A Microsoft - que poderia ganhar uma fatia de mercado com sua ferramenta de busca Bing - apoiou a proposta e pediu explicitamente a outros países que sigam o exemplo da Austrália, argumentando que o setor tecnológico tem que dar um passo adiante para apoiar o jornalismo independente, "o coração de nossas liberdades democráticas".

Os legisladores europeus também falaram de maneira favorável sobre as propostas australianas, enquanto eles elaboram sua própria legislação sobre o mercado digital na União Europeia.

A medida do Facebook também provocou perguntas sobre a "soberania digital" dos países, porque algumas páginas na rede social usadas para alertar a população sobre incêndios, inundações e outras catástrofes foram afetadas por engano.

A empresa atuou rapidamente para solucionar o erro, mas o incidente apresenta a questão sobre se as redes sociais poderiam ter a capacidade de eliminar unilateralmente serviços de resposta às crises.

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AFP