Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 7h50

Por AFP

O primeiro-ministro da Geórgia, Guiorgui Gajaria, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (18), por discordar da decisão de um tribunal de ordenar a detenção do líder opositor Nika Melia, um novo capítulo na crise política que abala o país desde outubro passado.

"Tomei a decisão de deixar meu posto", disse Gakharia em uma reunião do governo transmitida pela televisão, afirmando que a decisão judicial "é um risco para a saúde e para a vida dos nossos concidadãos e cria a possibilidade de uma escalada política no país".

Líder do Movimento Nacional Unificado (MNU), Nika Melia é acusado pela Justiça de ter organizado as multitudinárias manifestações de 2019.

Um tribunal da Geórgia ordenou na quarta-feira (17) sua detenção provisória. Melia pode ser condenado a nove anos de prisão.

Seus partidários denunciam uma perseguição política e alertam que vão-se opor a qualquer tentativa da polícia de detê-lo.

O opositor se encontra em Tbilisi, a capital, na sede do partido, onde os líderes de praticamente todas as siglas da oposição se reuniram ontem mesmo para apoiá-lo.

Na quarta à noite, a televisão local mostrou imagens de agentes do Batalhão de Choque se aproximando da sede do partido.

A prisão de Melia pode agravar a crise política que assola a Geórgia desde as eleições legislativas de outubro, nas quais a oposição denunciou fraude. A sigla Sonho Georgiano venceu a disputa por uma pequena margem.

Em conversa ontem com a AFP, Melia denunciou o processo contra ele, chamando-o de "absurdo judicial".

Gajaria era ministro do Interior quando os protestos explodiram nas ruas e ordenou a repressão dos manifestantes. Vários ficaram feridos. Em setembro de 2019, foi nomeado primeiro-ministro.

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