Publicado 17 de Fevereiro de 2021 - 16h10

Por AFP

Três potências europeias e os Estados Unidos devem discutir na quinta-feira para tentar salvar o acordo de 2015 sobre o programa nuclear do Irã, dias antes do prazo estabelecido por Teerã que pode limitar as inspeções de suas instalações nucleares.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, receberá seus homólogos alemães Heiko Maas e o britânico Dominic Raab em Paris, e a eles vão se reunir por videoconferência o novo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken.

A reunião "será dedicada principalmente ao Irã e à segurança regional no Oriente Médio", disse o Ministério das Relações Exteriores da França em um comunicado.

Analistas estimam que há uma pequena chance de salvar o acordo nuclear, que sofreu um golpe quase fatal quando o ex-presidente Donald Trump o abandonou unilateralmente em 2018.

O novo presidente, Joe Biden, disse que está disposto a voltar ao pacto e começar a suspender as sanções se Teerã voltar a cumprir o pacto totalmente, uma pré-condição que Teerã rejeita.

Para aumentar ainda mais a pressão, o Irã restringirá algumas inspeções da agência nuclear da ONU se os Estados Unidos não suspenderem as sanções impostas desde 2018 até 21 de fevereiro, nos termos de um projeto de lei aprovado em dezembro pelo Parlamento.

A chanceler alemã, Angela Merkel, em um telefonema incomum nesta quarta-feira para o presidente iraniano Hassan Rohani, expressou sua "preocupação com o contínuo fracasso do Irã em cumprir suas obrigações no acordo nuclear", informou Berlim.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, vai a Teerã no sábado para conversas com autoridades iranianas com o objetivo de encontrar uma solução para continuar com as inspeções no país.

Grossi alertou que a medida ameaçada por Teerã "teria um sério impacto nas atividades de verificação e controle da AIEA no país".

Ellie Geranmayeh, especialista em Irã no Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), acredita que é "improvável" que a reunião de quinta-feira leve a um gesto político ou econômico significativo para impedir o Irã de prosseguir com as restrições.

"Este prazo está suspenso há meses e, na ausência de alívio econômico, os líderes iranianos se sentem motivados a seguir em frente", disse à AFP.

O Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), assinado em Viena em 2015, visa impedir o Irã de se equipar com armas nucleares, em troca de um alívio gradual das sanções internacionais.

No entanto, o Irã intensificou suas atividades nucleares em resposta às sanções impostas pelos Estados Unidos na chamada política de "pressão máxima" defendida por Trump para enfraquecer o regime iraniano.

"Ao multiplicar suas violações, o Irã põe em risco a possibilidade de um retorno à diplomacia que permita a plena e completa realização dos objetivos do acordo", disseram porta-vozes da França, Alemanha e Reino Unido na semana passada.

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