Publicado 17 de Fevereiro de 2021 - 7h30

Por AFP

Eleita esta semana diretora da Organização Mundial do Comércio (OMC), a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala afirmou que trabalhará para alcançar resultados concretos para abordar a dupla crise econômica e de saúde que abala o planeta.

Seus objetivos imediatos são garantir que as vacinas sejam produzidas e distribuídas em todo mundo - não apenas nos países ricos - e resistir ao estímulo do protecionismo, que se agravou durante a pandemia, para que o livre-comércio possa ajudar na recuperação econômica.

"Acredito que a OMC é importante demais para permitir que seja desacelerada, paralisada e moribunda", declarou à AFP em uma entrevista. "Isso não está certo", frisou.

No dia 1o de março, ela assumirá o comando de uma instituição cada vez mais ofuscada, especialmente pela aberta hostilidade do governo do ex-presidente americano Donald Trump.

O antecessor da nigeriana, o brasileiro Roberto Azevêdo, renunciou em agosto do ano passado em meio aos problemas enfrentados pela organização, incluindo a ação dos Estados Unidos. Washington paralisou o tribunal de solução de controvérsias em dezembro de 2019 com reclamações sobre a gestão das divergências com a China.

Eleita pelos países-membros na segunda-feira (15), depois que o governo do novo presidente americano, Joe Biden, respaldou sua candidatura, Okonjo-Iweala prometeu injetar uma vida nova no organismo comercial que, segundo ela, perdeu o foco em ajudar a melhorar as condições de vida das pessoas.

"Eu acredito que a OMC pode contribuir com mais força para a resolução da pandemia de covid-19, ajudando a melhorar o acesso e a disponibilidade de vacinas para os países pobres", disse.

"É do interesse de todos os países que todos sejam vacinados porque você não estará seguro até que todos estejam seguros", declarou Okonjo-Iweala.

Alguns países, como Índia e África do Sul, pressionam para a suspensão das normas comerciais das patentes, o que permitiria uma distribuição mais rápida das vacinas.

No lugar de ficar paralisada em outra disputa entre os países-membros da OMC, porém, Okonjo-Iweala disse que a organização poderia promover uma via mais rápida.

"Em vez de perder tempo discutindo sobre isto, devemos olhar para o que o setor privado está fazendo" com acordos de licenciamento, para permitir que as vacinas sejam produzidas em vários países - algo que ela observou que o laboratório AstraZeneca já fez na Índia.

"O setor privado já procurou uma solução, porque quer fazer parte da chegada aos países e pessoas pobres", disse.

Além disso, a OMC deve trabalhar para evitar a tendência a restringir as exportações de produtos médicos e terapêuticos, incluindo vacinas.

Embora seja natural que os políticos ajudem primeiro os seus próprios países, ela - que também tem cidadania americana - advertiu que as cadeias de abastecimento estão estreitamente ligadas e não podem ser rapidamente desemaranhadas para criar uma produção totalmente nacional.

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