Publicado 17 de Fevereiro de 2021 - 7h00

Por AFP

O Parlamento da Groenlândia, um território dinamarquês autônomo nos confins do Atlântico Norte, decidiu na terça-feira (16) realizar eleições legislativas antecipadas em 6 de abril, um epílogo da crise política que vive a maior ilha do mundo.

A lei para a realização de novas eleições foi aprovada por unanimidade pelos 27 deputados presentes, do total de 31 do Inatsisartut, o parlamento local.

Esta decisão marca o fim do governo de Kim Kielsen, do Partido Social-Democrata Siumut, no poder desde dezembro de 2014.

A abertura no início de fevereiro de consultas públicas sobre o depósito de terras raras e de urânio de Kvanefjeld (Kuannersuit, na Groenlândia), no extremo sul da ilha, provocou uma crise política que levou à queda do governo, privando-o de sua maioria no Inatsisartut.

Em princípio favorável ao projeto de exploração que representaria receitas tributárias significativas, o Siumut adotou uma linha mais reservada desde novembro e da eleição para a presidência do partido de Kim Kielsen, até agora chefe do governo.

Em abril de 2018, este partido, que domina a vida política da Groenlândia desde 1979, obteve uma vitória apertada nas eleições legislativas sobre o Inuit Ataqatigiit (IA), uma sigla de esquerda e ecológica, atualmente favorita nas pesquisas. O IA se opõe a qualquer extração de urânio.

A Groenlândia deseja ser independente, mas esta emancipação da Dinamarca - à qual Copenhague não se opõe - a privaria dos generosos subsídios dinamarqueses, cerca de US$ 635 milhões por ano, ou seja, um terço de seu orçamento.

A diversificação da sua economia, que se baseia principalmente na pesca (setor que representa 90% das exportações da Groenlândia), será um tema central da campanha, juntamente com saúde e questões sociais.

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