Publicado 16 de Fevereiro de 2021 - 20h31

Por Estadão Conteúdo

A Prefeitura de São Paulo estuda aumentar os espaços para tratamento de pacientes com as variantes do novo coronavírus. Hoje, apenas o Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria, em Pirituba, zona oeste, recebe pacientes contaminados pela variante brasileira chamada de P1. Além da expansão do atendimento no hospital de Pirituba, outros locais com atendimento exclusivo à covid-19 podem receber os infectados com a nova cepa.

A Secretaria de Saúde confirmou 13 casos desde janeiro, sendo nove pela variante brasileira do coronavírus, chamada de P1, e quatro do Reino Unido. No estado, já foram identificados 25 casos, 12 deles em Araraquara. Desses, 16 são autóctones, ou seja, pessoas que não viajaram ao Amazonas, onde a nova cepa teve origem no País, nem tiveram contato com quem veio do estado. Outros seis casos suspeitos na cidade aguardam resultado do Instituto Adolf Lutz. A confirmação de novas variantes ocorre por meio de sequenciamento genético, além da investigação epidemiológica dos casos, como históricos de viagens e contatos.

Outro plano da prefeitura para conter o avanço das variações do novo coronavírus é aprofundar o rastreamento das pessoas que tiveram contatos com os pacientes. Isso inclui a testagem dos familiares, dos profissionais de saúde que atenderam os infectados e até dos pacientes hospitalizados nos mesmos locais, uma hora antes e uma hora depois, que os infectados. Quando as pessoas são testadas, os exames são encaminhados para o Instituto Adolfo Lutz ou para o Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

O primeiro caso de uma pessoa infectada com a variante de Manaus foi confirmado pela prefeitura na noite de sábado, 13. Trata-se de um paciente que vive no Ipiranga, na zona sul da capital paulista, e que não esteve no Amazonas. A Unidade Básica de Saúde (UBS) da região está monitorando os familiares e as pessoas com quem o paciente teve contato nos cinco dias anteriores à realização do exame que detectou a doença.

Dez leitos

O Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria possui dez leitos reservados e totalmente isolados para os casos da nova cepa. De acordo com o poder municipal, a unidade pode ampliar o espaço se surgirem mais casos. O hospital já atendeu sete casos, entre confirmados e suspeitos. Três vieram a óbito; três receberam alta e um caso continua internado em estado grave em leito de UTI destinado à nova Cepa.

Ainda não há comprovações científicas de que as variantes sejam mais transmissíveis ou provoquem quadros mais graves. Diante da descoberta dos novos, especialistas da Coordenadoria de Vigilância em Saúde de São Paulo recomendam a busca imediata de serviço médico em caso de sintomas da doença como tosse, febre, dor de cabeça, entre outros.

Segundo estudos feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e Fiocruz Amazonas, a cepa teria surgido em Manaus em dezembro e vem se disseminando com rapidez. A variante tem mutações importantes na proteína spike, responsável por permitir a entrada do patógeno nas células humanas.

Para o epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, é preciso que haja medidas mais rigorosas para o controle do coronavírus. Para conter as novas cepas, o especialista defende medidas como lockdown e vacinação em massa em Manaus. "A primeira medida (para conter as variantes) é radicalizar todas as medidas de distanciamento social e de uso de máscaras. A segunda é manter em todo o País um sistema de vigilância diárias das novas cepas. A terceira seria um cordão sanitário em Manaus, acompanhado de medidas como lockdown local e vacinação em massa na cidade, algo com um milhão de doses agora e depois em quinze dias", exemplifica.

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