Publicado 16 de Fevereiro de 2021 - 12h20

Por AFP

Demandas em todos os lugares e a quase qualquer preço. Poderia o mercado das vacinas se tornar a galinha dos ovos de ouro para seus produtores? Quais serão as consequências da pandemia para o setor farmacêutico?

A empresa americana Pfizer anunciou que somente nos meses que já se passaram em 2021 as vendas de sua vacina contra a covid-19, desenvolvida em sociedade com o laboratório alemão BioNTech, chegaram a 15 bilhões de dólares.

Se forem somadas às outras vacinas contra o coronavírus, "o mercado poderia ter resultados de 30 a 40 bilhões de dólares este ano", afirma à AFP Loïc Chabanier, da consultora Ernest & Young.

Os especialistas, no entanto, consideram difícil determinar a margem de lucro para os laboratórios, já que os preços de uma vacina variam muito de uma empresa para outra, assim como a tecnologia e a estratégia usadas.

A anglo-sueca AstraZeneca anunciou que enquanto a pandemia durar, venderá suas doses a preço de custo, 2,16 dólares a unidade.

De qualquer modo, a pandemia varreu o modelo econômico tradicional, considera Loïc Chabanier. "No início, as vacinas são pouco rentáveis, o lucro é alcançado a longo prazo. Mas agora são rentáveis desde o primeiro momento", devido à forte demanda, explica.

A Pfizer, por sua vez, espera conseguir uma margem antes dos impostos de entre 25% e 30%.

Os primeiros laboratórios a conseguir a vacina alcançam uma posição privilegiada no mercado porque conseguem grandes pedidos. Isso, no entanto, não significa que não tenha lugar para os outros. O que aconteceria se a covid-19 se tornasse uma nova gripe? Se fosse preciso vacinar todos os anos contra cada variante?

"Dadas as dimensões e o impacto global da pandemia, tem lugar para vários atores", afirma Loïc Chabanier.

"Os que chegarem depois terão uma vantagem logística", estima Jean-Jacques Le Fur, analista do Bryan, Garnier & Co.

Segundo uma estimativa recente do GlobalData, as vendas da vacina da Pfizer/BioNTech poderiam inclusive cair 80% no ano que vem, devido à eficácia de outras vacinas.

Uma boa notícia para Christelle Cottenceau, diretora da consultora francesa Alcimed: "mantém o nível da concorrência".

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