Publicado 16 de Fevereiro de 2021 - 11h20

Por AFP

A vida de "milhões de civis" no norte do Iêmen está em perigo devido ao aumento da violência na região de Marib, o último reduto do poder na região, que os rebeldes houthis querem controlar, alertou a ONU.

Os rebeldes, apoiados pelo Irã, vêm tentando dominar esta cidade rica em petróleo há mais de um ano.

Após um período de calma, lançaram uma nova ofensiva em 8 de fevereiro para tirar a cidade do controle das forças governamentais, que recebem apoio aéreo de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.

"Estou muito preocupado com a escalada militar em Marib e seu impacto na situação humanitária", tuitou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock.

O diplomata anunciou que irá discutir a situação com o Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira, a fim de "desarmar" a crise ao invés de "aumentar ainda mais a miséria do povo iemenita".

Essa escalada ocorre em um momento em que os houthis devem ser retirados da lista de "organizações terroristas" dos Estados Unidos para não obstruir a entrega de ajuda internacional aos territórios que controlam.

Os combates nas proximidades de Marib mataram e feriram dezenas de ambos os lados nas últimas 24 horas, de acordo com oficiais militares do governo iemenita. Os houthis raramente reportam suas baixas.

Nas últimas horas, "os rebeldes conseguiram avançar para o oeste e norte de Marib após assumir o controle da região de Al-Zour, alcançando a parte oeste da barragem de Marib e reforçando seu controle sobre as montanhas que dominam as linhas de abastecimento de várias frentes", informou um dos líderes militares à AFP.

Na manhã desta terça-feira, a coalizão militar anunciou a interceptação de um drone-bomba lançado pelos houthis em direção ao Aeroporto Internacional de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita, que foi alvo de vários ataques nos últimos dias.

Por sua vez, os rebeldes noticiaram em seu canal de televisão Al-Massirah de 13 ataques aéreos da coalizão em várias frentes em Marib nas últimas 24 horas, sem especificar se causaram vítimas.

Até então, a cidade era um refúgio para muitos deslocados, que fugiam dos combates no país dilacerado pela guerra desde 2014, data da tomada pelos houthis da capital Sanaa, localizada 120 km a oeste de Marib.

Desde então, os rebeldes conquistaram quase todo o norte do país.

Este conflito mergulhou o país na pior crise humanitária do mundo, segundo as Nações Unidas, com dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e uma população à beira da fome.

De acordo com analistas, os houthis estão tentando assumir o controle de Marib antes de iniciar novas negociações com o governo, e o novo governo americano do presidente Joe Biden pretende pressionar por uma solução política.

A tomada de Marib pelos rebeldes seria um duro golpe não só para o poder, mas também para a Arábia Saudita, que o apoia desde março de 2015, já que o norte do Iêmen passaria então inteiramente ao controle dos houthis.

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