Publicado 16 de Fevereiro de 2021 - 10h20

Por AFP

Um ano atrás, David Abel e sua esposa Sally suportaram a interminável quarentena no "Diamond Princess", um transatlântico bloqueado na costa do Japão devido ao coronavírus. Mas hoje eles estão ansiosos para voltar ao mar.

Como 700 outros passageiros, este casal britânico foi infectado no transatlântico, onde 13 mortes foram registradas e foi submetido a quarentena pelas autoridades japonesas.

"Mal podemos esperar para voltar ao mar", disse Abel este mês em seu canal no YouTube, explicando que já reservou cinco cruzeiros para 2021-2022.

A indústria global de cruzeiros tem uma clientela entusiasmada que quer voltar para a água após um longo hiato forçado pela pandemia.

Os analistas não esperam um retorno à atividade normal até o segundo semestre de 2021, no mínimo. Mas sinais de recuperação já estão sendo vistos, com reservas aumentando à medida que as vacinações avançam em todo o mundo.

"Muitos fãs de cruzeiros estão relutantes em reservar agora, e eu entendo perfeitamente", disse Abel. No entanto, ele acredita que esta será "uma das formas mais seguras de férias" no mundo pós-pandemia.

Quando o "Diamond Princess" chegou ao porto de Yokohama, perto de Tóquio, em 3 de fevereiro de 2020, ninguém sabia o que aconteceria.

Na época, o novo coronavírus havia causado oficialmente 425 mortes, todas na China, e a epidemia parecia distante para o resto do mundo.

No Japão, 20 casos de infecção haviam sido notificados, e as restrições de acesso ao país afetavam apenas viajantes da província chinesa de Hubei, onde a epidemia começou no final de 2019 na metrópole de Wuhan.

Poucos dias antes, um passageiro do "Diamond Princess" deu positivo após desembarcar em Hong Kong. Por isso, em 4 de fevereiro, as autoridades japonesas decidiram colocar o navio em quarentena, com seus 2.666 passageiros e 1.045 tripulantes.

Os testes laboriosos dos primeiros dispositivos de diagnóstico da covid-19, que nem sempre eram confiáveis, revelaram a extensão da crise a bordo, apesar do confinamento dos passageiros em suas cabines.

A experiência foi "incrivelmente surreal", disse à AFP Sarah Arana, uma assistente social americana de 54 anos, que garante "não se arrepender" porque foi capaz de testemunhar o início da luta contra a futura pandemia.

Um ano depois, os cruzeiros estão sob fortes restrições. O Canadá os proibiu em suas águas até fevereiro de 2022, e os Estados Unidos desaconselham o embarque.

No entanto, as autoridades sanitárias dos Estados Unidos emitiram normas que permitem sua retomada gradual, exigindo que os navios tenham um laboratório a bordo para testar os passageiros, exigindo o uso de máscaras e limitando as viagens a sete dias.

Por isso, muitas empresas continuam com seus barcos atracados. Carnival Cruises e Norwegian Cruise Line esperam retomar os negócios em abril e maio, respectivamente.

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