Publicado 15 de Fevereiro de 2021 - 17h30

Por AFP

A ONU condena os cortes de internet em Mianmar que, segundo a organização, prejudicam "os princípios democráticos fundamentais e setores fundamentais, incluindo os bancos", afirmou nesta segunda-feira (15) seu porta-voz adjunto, Farhan Haq.

O país asiático é palco de protestos contra os militares que derrubaram o governo civil de Aung San Suu Kyi em 1o de fevereiro, encerrando uma frágil transição democrática de 10 anos.

A enviada da ONU para Mianmar, Christine Schraner Burgener, alertou que os cortes de internet "vão agravar as tensões nacionais", durante uma conversa telefônica com Soe Win, comandante adjunto das forças armadas birmanesas.

A internet deixou de funcionar em todo o país pela segunda noite consecutiva, informou nesta segunda-feira (15) a ONG de vigilância da internet NetBlocks. No dia anterior o serviço também sofreu uma interrupção de oito horas.

"As prisões de líderes políticos, funcionários, atores da sociedade civil e representantes da mídia são muito preocupantes, assim como as restrições de internet e dos serviços de comunicação", insistiu Haq na coletiva de imprensa diária da ONU.

Esses serviços "não devem ser alterados para garantir a liberdade de expressão, que inclui o acesso à informação", disse o porta-voz.

A enviada da ONU planeja manter contato com a hierarquia militar birmanesa "para um diálogo franco e aberto enquanto considerar que isso permite reverter a situação atual e fazer respeitar a vontade do povo de Mianmar", acrescentou Haq.

Schraner Burgener "continua insistindo ao exército sobre o fato de que deve se abster de qualquer violência e respeitar plenamente os direitos humanos, as liberdades fundamentais e o Estado de direito", apontou o porta-voz.

Segundo ele, a enviada "comunicou ao exército de Mianmar que o mundo vigia de perto" a situação no país e que "qualquer forma de reação brutal poderia ter graves consequências".

O porta-voz, no entanto, não especificou quais seriam essas consequências.

prh/dax/gma/yo/aa

Escrito por:

AFP