Publicado 15 de Fevereiro de 2021 - 16h30

Por AFP

Mais de 300 cubanos, residentes na ilha e emigrados, pediram em uma carta ao governo dos Estados Unidos para esperar que Havana "cesse a repressão política" e "liberte os presos" políticos para normalizar suas relações com Cuba.

"Que seja preliminar ao início das negociações a libertação imediata - sem exílio condicionado - dos mais de cem presos e presas políticos condenados injustamente por exercer e exigir direitos cidadãos, assim como a legalização de todas as organizações da sociedade civil", apontaram os signatários da carta.

Esta carta aberta, na qual participam vários opositores e membros do denominado movimento 27N, está destinada aos governos de Joe Biden e Miguel Díaz-Canel, assim como ao Congresso americano.

"O governo de Cuba deve normalizar as relações com seus cidadãos como premissa para normalizá-las com o mundo", destacam.

Os signatários também pedem que, "ao contrário do processo anterior" para normalizar as relações, liderado em 2014 pelos então presidentes Raúl Castro e Barack Obama, desta vez "a negociação seja realizada em condições de transparência, com acesso igualitário aos meios oficiais e independentes cubanos".

Além disso, pedem também "uma ampla participação e representação da sociedade cubana" para o processo, que "deverá ser acompanhado por mediadores de credibilidade e experiência como o Vaticano, Noruega e o Parlamento Europeu".

Entre os signatários membros do 27N, estão Camila Lobón e Héctor Luis Valdés, protagonistas do inédito protesto pacífico de jovens artistas em 27 de novembro passado. Também opositores como José Daniel Ferrer e Rosa María Payá, e o historiador cubano radicado no México, Rafael Rojas.

O texto é anunciado dias depois de cerca de 650 artistas e acadêmicos dentro e fora de Cuba pedirem a Biden, em outra carta aberta, que elimine o embargo que Washington aplica contra a ilha desde 1962, retomado sob o governo do ex-presidente Donald Trump.

As autoridades cubanas não reconhecem a existência de presos políticos e chamam os opositores de "mercenários" dos Estados Unidos.

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