Publicado 15 de Fevereiro de 2021 - 7h40

Por AFP

Manifestantes pró-democracia voltaram às ruas nesta segunda-feira (15) em Mianmar, mas em menor número do que nos dias anteriores, depois que a junta militar intensificou sua repressão com o envio de tropas.

Em Yangon, a capital econômica, centenas de manifestantes se reuniram perto da sede do banco central no norte da cidade para convocar os trabalhadores à greve.

Alguns agitavam bandeiras vermelhas com as cores da Liga Nacional para a Democracia (NLD), o partido de Aung San Suu Kyi, enquanto outros gritavam "fora ditadura!".

Apesar das ameaças, "os movimentos populares não vão parar, o primeiro passo foi o mais difícil, não temos medo de sermos presos ou alvejados", disse Nyein Moe, um guia turístico.

Mas as multidões eram menos numerosas do que nos últimos dias, notaram jornalistas da AFP. Algumas empresas enviaram e-mails a seus funcionários, instando-os a não protestarem.

A presença de militares, apoiados por veículos blindados, também limitou o número de manifestantes.

"Estão tentando nos assustar com o envio de soldados", disse Htet Aung, brandindo um cartaz pedindo "desobediência civil" na frente de um caminhão militar.

No dia anterior, o Exército implantou tropas em várias cidades birmanesas.

"Tivemos muito medo. Achávamos que eles atirariam em nós como no passado", comentou Nyein Moe, referindo-se aos levantes populares de 1988 e 2007, que foram reprimidos com violência pelo Exército.

Outras mobilizações foram realizadas em todo o país, como em Naipidau, a capital administrativa, construída pela junta. Dezenas de pessoas foram detidas durante a manifestação, incluindo cerca de vinte estudantes, de acordo com um jornalista local.

As conexões de Internet, que foram interrompidas durante a noite, foram restauradas esta manhã.

O golpe de Estado de 1º de fevereiro derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi e encerrou uma frágil transição democrática de dez anos.

Acusada de importação ilegal de walkie-talkies, a ex-líder de 75 anos permanecerá detida até quarta-feira, após o adiamento de uma audiência originalmente marcada para hoje, informou seu advogado, Khin Maung Zaw.

Suu Kyi está "com boa saúde" e em prisão domiciliar em Naipidau, declarou a NLD neste fim de semana.

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