Publicado 13 de Fevereiro de 2021 - 19h20

Por AFP

O ex-presidente Donald Trump foi absolvido neste sábado (13) da acusação de "incitamento à insurreição" pelos tumultos durante a invasão do Capitólio, após um processo de impeachment histórico no Senado marcado pela divulgação de imagens inéditas dos violentos acontecimentos de 6 de janeiro.

Os senadores votaram por 57 votos a 43 a favor do impeachment, mas não conseguiram alcançar a maioria de dois terços exigida para condenar Trump. No entanto, sete republicanos votaram para condená-lo.

Depois de anunciada a decisão, o ex-presidente republicano, que está banido das redes sociais desde que deixou o poder, em 20 de janeiro, comemorou o resultado e denunciou o processo como "mais uma fase da maior caça às bruxas da história" dos Estados Unidos.

Este é o segundo julgamento de impeachment contra Trump, que em 2020 também foi absolvido em um processo por abuso de poder.

Desde a manhã deste sábado, ficou claro que o presidente seria absolvido, após o vazamento de uma carta do líder da minoria republicana do Senado dos Estados Unidos, Mitch McConnell, na qual ele indicava a seus correligionários que votaria a favor de absolvição.

No entanto, após votar contra a condenação do ex-presidente, McConnell admitiu no plenário que Trump é responsável "moralmente e na prática" por ter causado os incidentes de 6 de janeiro.

O processo durou cinco dias e foi encerrado com um apelo de legisladores democratas, que acusaram o ex-presidente de ter "traído" os Estados Unidos. A defesa, por sua vez, classificou as acusações de "absurdas".

O advogado de Trump, Michael Van der Veen, disse que, independentemente do horror mostrado nas imagens dos distúrbios no Capitólio e da emoção imbuída nos argumentos, isso "não muda o fato de que Trump é inocente".

"Chegou a hora de acabar com este teatro político inconstitucional", concluiu.

Os democratas que buscavam uma condenação para em seguida desqualificar politicamente Trump, acusaram o republicano de "abusar de seu poder ao se aliar aos insurgentes".

O líder da acusação, o congressista democrata Jamie Raskin, disse que está claro que "Trump apoiou as ações da multidão, então ele deve ser condenado".

David Cicilline, que também participou da argumentação final, acusou Trump de violar seus deveres.

"No momento em que mais precisávamos de um presidente para nos proteger e nos defender, o presidente Trump nos traiu deliberadamente", criticou.

A confusão reinou no Senado por duas horas depois que Raskin indicou que desejava acesso ao testemunho da legisladora republicana Jaime Herrera Beutler e às trocas de mensagens com o líder da minoria republicana na Câmara Baixa, Kevin McCarthy.

Raskin também pediu as notas que a congressista tomou sobre uma conversa entre Trump e McCarthy durante o ataque ao Congresso.

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