Publicado 13 de Fevereiro de 2021 - 18h10

Por Estadão Conteúdo

A visita do presidente Jair Bolsonaro ao litoral de Santa Catarina começou com aglomeração e cobrança por uma nova rodada do auxílio emergencial, em meio à pandemia de covid-19. Neste sábado, 13, Bolsonaro desembarcou em São Francisco do Sul, onde deve ficar até terça-feira, 16, para atividades de lazer e reuniões políticas.

Ao chegar à cidade catarinense, o presidente parou em diferentes pontos para cumprimentar apoiadores, que se aglomeraram para tirar fotos e conversar com o chefe do Executivo federal. Sem máscara, Bolsonaro deu a mão para simpatizantes, tirou fotos e pegou crianças no colo. No público, havia pessoas sem o equipamento de proteção contra o vírus no rosto.

Segundo o governo estadual, Santa Catarina perdeu 6.686 vidas para o novo coronavírus até esta sexta-feira, 12. A região que Bolsonaro visita foi classificada no último boletim elaborado pela Secretaria de Saúde do Estado como de "risco potencial gravíssimo", ou seja, registra alta ocorrência de mortes e os índices apontam para a expansão da pandemia.

Ao cumprimentar apoiadores, Bolsonaro foi questionado sobre o auxílio emergencial. Mais uma vez, o presidente da República responsabilizou governadores pelo fechamento das atividades econômicas e a pressão pelo socorro assistencial. Após ser eleito, em 2018, o chefe do Planalto rompeu com o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), que perdeu apoio da base bolsonarista no Estado após adotar medidas de isolamento social.

"Quem foi que tirou teu emprego? Tá gravando? Pode gravar. Você quer o auxílio? Pede para o governador", afirmou o presidente a uma mulher que o questionou sobre o pagamento em meio aos apoiadores. "Quem fechou tudo, fui eu ou foi o governador? Quem fechou o comércio, fui eu ou o governador? Eu tô te perguntando: quem foi que tirou teu emprego?".

Pressionado pelo avanço da doença e pela falta de uma vacinação ampla contra a covid-19, o governo deve retomar o pagamento do auxílio a partir de março. Para isso, negocia com o Congresso a aprovação de uma agenda fiscal de redução de gastos, ainda sem garantias de votação, para compensar a despesa.

Nesta semana, Bolsonaro condicionou a volta do auxílio à abertura total do comércio, apesar de o benefício ter sido criado para socorrer trabalhadores informais e desempregados no isolamento social. A maioria das pessoas que recebeu o presidente manifestou apoio. No meio da aglomeração, porém, uma mulher xingou o chefe do Planalto. Simpatizantes bolsonaristas reagiram e devolveram o ataque. A Presidência da República não divulgou uma agenda oficial no local.

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