Publicado 13 de Fevereiro de 2021 - 16h10

Por AFP

O médico Oscar Ugarte assumiu neste sábado (13) o cargo de ministro da Saúde do Peru, após a renúncia de Pilar Mazzetti em meio a uma tempestade política devido à denúncia de que o ex-presidente Martín Vizcarra foi vacinado contra a covid-19 antes do início da imunização no país.

Ugarte, de 76 anos, foi empossado pelo presidente interino Francisco Sagasti em uma breve cerimônia. Ele é o quinto responsável pela pasta de Saúde desde o início da pandemia no Peru, há 11 meses.

"Quando há uma situação de crise o que se tenta fazer é trazer um jogador experiente", explicou Sagasti ao canal RPP, referindo-se ao fato de Ugarte ter ocupado o mesmo cargo em 2008-2011, durante o segundo mandato do falecido presidente Alan García.

Minutos antes de Ugarte tomar posse, Sagasti confirmou a renúncia de sua antecessora.

"A ministra Pilar Mazzetti apresentou sua renúncia na noite passada", confirmou a presidente ao RPP, confirmando uma versão divulgada na noite de sexta-feira na televisão pública e em outros meios de comunicação peruanos.

Ugarte assume o cargo enquanto o Peru enfrenta tenta lidar com a segunda onda da pandemia, com um recorde de 14.333 pacientes com covid-19 em seus hospitais, segundo balanço oficial.

O próprio Ugarte foi infectado em junho passado. A covid-19 "bate forte, você se sente como se estivesse em um buraco porque está dependendo das coisas mais elementais, o oxigênio e a capacidade de respiração", revelou após superar a doença.

A tempestade política que levou à renúncia de Mazzetti foi desencadeada na quinta-feira, quando um jornal de Lima publicou que Vizcarra foi vacinado contra a covid-19 em outubro, semanas antes de ser destituído pelo Congresso em um julgamento político relâmpago.

A vacinação no país começou apenas nesta terça-feira e está direcionada por enquanto aos profissionais da saúde.

O popular ex-presidente (2018-2020), que busca uma cadeira no Congresso nas eleições de 11 de abril, se defendeu alegando que foi voluntário no ensaio clínico da vacina chinesa da Sinopharm no país, como milhares de outros peruanos.

Legisladores da oposição, os mesmos que votaram pela destituição de Vizcarra e que têm maioria no Congresso, estavam pressionando por uma moção de censura contra Mazzetti que provavelmente seria aprovada, o que obrigaria Sagasti a substituí-la.

Mazzetti esteve na linha de frente do combate contra o coronavírus desde o início, primeiro como chefe do "Comando Covid", o grupo encarregado de coordenar as políticas sanitárias contra a pandemia, e em seguida como ministra da Saúde, um cargo que ocupou por sete meses.

"Vimos como (...) aconteceu um interrogatório realmente ultrajante (a Mazzetti no Congresso), com repetição de perguntas, com insultos (...). Não se pode tratar os ministros do Estado desta maneira", disse o presidente.

Mazzetti compareceu perante o Congresso na quinta-feira e afirmou que não tinha "nenhum conhecimento" do caso do ex-presidente. "Não me foi informado que o senhor Martín Vizcarra recebeu a vacina, ele, sua esposa e outro familiar", afirmou.

Neste sábado, após o juramento de Ugarte, Mazzetti foi fortemente aplaudida pelo gabinete ministerial no Palácio do Governo, em Lima.

O Peru acumula 1.220.748 casos confirmados de covid-19 (+8.439 no último dia) e 43.255 mortes (+210), segundo balanço do Ministério da Saúde. Do total de infectados, 1.130.923 pessoas se recuperaram.

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