Publicado 13 de Fevereiro de 2021 - 14h55

Por AFP

O julgamento de Donald Trump está caminhando para o fim e o Senado deve dar seu veredicto neste fim de semana, depois que a defesa do ex-presidente dos Estados Unidos alegou que ele não era responsável pelo ataque de uma multidão de seus apoiadores ao Congresso.

Os advogados de defesa concluíram seus argumentos em apenas três horas na sexta-feira, acusando os democratas de perseguir Trump.

O Senado se reuniu novamente neste sábado.

Em seus argumentos na sexta-feira, o advogado de defesa Michael van der Veen classificou a acusação de inconstitucional e um "ato de vingança política". "O Senado deve votar rápida e decisivamente para rejeitá-lo", disse ele.

Trump foi indiciado pela Câmara dos Representantes, de maioria democrata, com a acusação de "incitação à insurreição" no ataque de seus partidários ao Capitólio, ocorrido uma semana antes.

Com imagens chocantes, legisladores atuando como promotores alegaram que Trump alimentou deliberadamente a tensão política após perder a reeleição para Joe Biden em 3 de novembro com uma campanha de alegações infundadas denunciando fraudes eleitorais massivas.

A tomada do Capitólio, que deixou cinco mortos, ocorreu logo após uma grande manifestação organizada por Trump perto da Casa Branca, na qual ele pediu à multidão que marchasse para o Congresso, que se preparava para certificar a vitória de Biden.

Uma maioria de dois terços é necessária para condenar o ex-presidente, o que significa que 17 republicanos devem se juntar aos 50 democratas no Senado.

Embora Trump pareça estar a caminho da absolvição, mesmo alguns votos republicanos contra ele deixariam uma marca histórica em sua presidência.

Os advogados do ex-presidente afirmam que seu discurso foi retórico e que ele não pode ser responsabilizado pelos excessos de seus seguidores.

Também afirmam que o julgamento em si é inconstitucional porque Trump deixou o cargo em 20 de janeiro, embora o Senado já tenha rejeitado esse argumento em votação na terça-feira.

"Sejamos claros: este julgamento é muito mais do que o presidente Trump", disse o advogado Bruce Castor, ao encerrar a argumentação da defesa.

"Trata-se de anular 75 milhões de eleitores de Trump e penalizar opiniões políticas. É disso que trata este julgamento", afirmou.

Na sexta-feira, a defesa rebateu o golpe da acusação, que esta semana insistiu que Trump em 6 de janeiro convocou seus apoiadores a "lutar como o inferno", com um vídeo de políticos democratas usando a palavra "lutar".

A montagem de mais de 10 minutos conta com a participação de muitos senadores democratas, além do presidente Joe Biden e da vice-presidente Kamala Harris quando estavam na campanha eleitoral de 2020, chamando à "luta" centenas de vezes em discursos e na televisão.

"Por favor, parem com a hipocrisia", disse o advogado David Schoen.

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