Publicado 13 de Fevereiro de 2021 - 13h00

Por AFP

Em um colchão em frente a um restaurante no meio de um frio congelante, John pega um copo de chá quente que um voluntário lhe dá. Este nigeriano chegou a Paris há três semanas para pedir asilo, mas seus esforços foram em vão e agora se sente "condenado a estar na rua".

Desde o dia 1º de janeiro e da entrada em vigor na França do novo regime nacional de acolhimento de requerentes de asilo, que segundo o governo deve contribuir para "desbloquear" a região parisiense e seus arredores, conduzindo grande parte dos exilados para outras regiões, migrantes associações de ajuda temem o pior.

Os casos mais simples são transferidos para as regiões e os mais complexos - como o de John (nome fictício) que foi registrado em outro país quando chegou à Europa - ficam na região de Paris, sem nada progredir para eles.

Isso aumenta o risco de concentrar a precariedade extrema na capital francesa e seus arredores, um terreno fértil para o reaparecimento de acampamentos de fortuna, cenário que as autoridades querem evitar a todo custo.

O "Regulamento de Dublin" atribui ao primeiro país de entrada de um imigrante na União Europeia (UE) a responsabilidade de processar o seu pedido de asilo.

"Ir para outro lugar que não seja Paris é tudo que eu quero, se isso significar que não vou mais dormir fora", disse John à AFP.

"Liguei para 115 (número de emergência social), expliquei que queria pedir asilo, mas me disseram que não há lugares", diz o nigeriano, que fugiu de seu país e chegou à Europa atravessando o mar Mediterrâneo.

"Somos a favor do plano", diz Delphine Rouilleault, diretora-geral da France terre d"asile, associação estatal que atua na região de Paris, "mas corremos o risco de acabar com uma concentração das situações administrativas mais complicadas na região de Paris, e um sistema de cuidados difícil".

O plano do governo é "afrouxar a pressão" dentro e nos arredores de Paris, que é atingida por metade dos requerentes de asilo, mas que tem apenas 19% da capacidade de acomodação dedicada a essas pessoas.

O diretor do Escritório Francês para a Imigração e Integração (OFII), Didier Leschi, reconhece que a situação na região de Paris é "preocupante".

Em janeiro, 991 pessoas foram encaminhadas para outras regiões francesas, cerca de quatro vezes mais que a média mensal de 2020.

"Não mandamos os "dublineses" para outras regiões porque é um procedimento complicado. Mas eles recebem o subsídio para os requerentes de asilo", afirma o chefe do OFII.

Segundo ele, 15% das 1.150 pessoas que solicitaram asilo recusaram a transferência, razão pela qual quaisquer benefícios ou acomodações são automaticamente retirados.

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