Publicado 12 de Fevereiro de 2021 - 18h10

Por AFP

O ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso e o líder indígena de esquerda Yaku Pérez, que disputam uma vaga no segundo turno da eleição presidencial do Equador, concordaram nesta sexta-feira (12) perante o Conselho Eleitoral em solicitar uma recontagem de votos, a fim de descartar uma suposta fraude no primeiro turno.

"A nossa proposta é que o processo (eleitoral) seja suspenso até que seja feita uma apuração nas 24 províncias do país", afirmou Pérez durante um encontro com Lasso na sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em Quito, comandado pela chefe do organismo, Diana Atamaint.

Na reunião, que contou também com a presença de outros membros do CNE e observadores internacionais, Pérez acrescentou que "hoje vocês têm uma oportunidade histórica de demonstrar ao país que não há fraude, que o processo eleitoral foi realizado com transparência".

"Apoio a proposta do candidato Yaku Pérez no sentido de que, no âmbito da lei, a contagem dos votos seja revisada", ressaltou, por sua vez, Lasso.

Pérez, um advogado ambientalista de 51 anos que alega que há uma fraude para impedir sua participação na votação, obteve 19,38% dos votos, sendo deslocado para o terceiro lugar pelo conservador Lasso, de 65 anos, que registrou 19,74%.

Um deles vai disputar a presidência no segundo turno contra o economista Andrés Arauz, de 36 anos, apadrinhado pelo ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), que segue na frente com 32,70% dos votos, segundo a contagem preliminar, que atingiu nesta sexta 99,96% dos registros eleitorais processados.

Atamaint antecipou que a CNE tem "a responsabilidade absoluta de prestar contas ao país" e explicou que o pedido de Pérez - que a princípio exigia a recontagem em sete das 24 províncias - deve ser analisado pela entidade levando em conta os aspectos técnicos, jurídicos e orçamentais.

"Infelizmente, esta situação ocorreu e gerou dúvidas entre os cidadãos", comentou a autoridade eleitoral à imprensa, e argumentou que o CNE "não tem nada, absolutamente nada a esconder" diante da estreita margem de votos entre Lasso e Pérez, que no início da contagem preliminar, estava na frente.

O governo do presidente Lenín Moreno, cujo mandato de quatro anos terminará no dia 24 de maio, garantiu que disponibilizará "os recursos econômicos necessários ao processo de apuração", segundo nota do Ministério da Fazenda.

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