Publicado 12 de Fevereiro de 2021 - 16h50

Por AFP

As autoridades de saúde francesas aconselharam esta sexta-feira (12) a "propor uma dose única" da vacina contra a covid-19 às pessoas que já contraíram a doença, tornando-se o primeiro país a fazer esta recomendação.

Pessoas que tiveram covid-19 "desenvolveram uma memória imunológica após a infecção" e "a dose única da vacina terá, portanto, um papel de lembrete", explicou a Alta Autoridade Francesa para a Saúde (HAS), em uma recomendação que ainda não recebeu o endosso do governo.

O HAS também recomenda que essas pessoas esperem "mais de três meses" após terem covid, "e de preferência seis meses", antes de injetar essa dose única.

"Até o momento, nenhum país adotou uma posição clara sobre a vacinação em dose única para pessoas que já contraíram covid-19", observam as autoridades de saúde francesas.

Além de razões de saúde, os pesquisadores responsáveis pelos estudos observaram que dar a essas pessoas uma única injeção poderia economizar doses em um cenário de baixo suprimento.

A recomendação de dose única não se aplica a indivíduos imunossuprimidos, como receptores de transplantes em terapia imunossupressora.

As três vacinas atualmente licenciadas na União Europeia (Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca/Oxford) requerem duas doses para serem totalmente eficazes em pessoas que nunca tiveram contato com o vírus.

A Johnson & Johnson"s, que está atualmente em análise pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), requer uma única injeção.

O governo francês geralmente segue o conselho deste órgão. Porém, no final de janeiro, optou por não aumentar o tempo entre as duas doses da vacina Pfizer, contrariando a recomendação feita alguns dias antes pelo HAS.

A agência baseia sua recomendação, principalmente, na análise de estudos científicos relacionados à resposta imunológica de pessoas curadas de covid-19 e sua tolerância às vacinas.

Nos últimos dias, essa solução foi mencionada em vários estudos nos Estados Unidos e na Itália, mas ainda não foi avaliada por outros cientistas.

"Em indivíduos com imunidade pré-existente, a resposta de anticorpos à primeira dose é equivalente ou até superior à detectada após a segunda dose" em indivíduos que não tinham o coronavírus, escreve uma das equipes, com base na Escola de Medicine Icahn, de Nova York.

No entanto, para Eleanor Riley, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Edimburgo, implementar esse plano "pode ser complexo do ponto de vista logístico".

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